Em meio da pandemia pelo Coronavirus, uma outra preocupação ocupa a mente de alguns produtores rurais no Rio Grande do Sul, que é a praga de gafanhotos
Nesse início de agosto, mês em que os campos do pampa gaúcho ficam cobertos com a geada congelante que deixa branca a paisagem e as plantações da fronteira entre dois países irmãos que compartilham das mesmas preocupações e do mesmo clima.
Precisamente entre as cidades interligadas pela ponte internacional da Concórdia, que através de seus setecentos e cinquenta metros em curva acentuada, liga, não só os municípios de Quarai (RS) e Artigas (UY), como também, dois povos dependentes economicamente um do outro e duas culturas voltadas para o cultivo das tradições gaúchas dos pampas uruguaios e brasileiros.
É nesse contexto que além das inquietações pertinentes a pandemia de Coronavírus, que atingiu o mundo inteiro nos últimos meses, uma outra preocupação ocupa a mente de alguns produtores deste longínquo lugar do extremo sul do Brasil, que é a praga de gafanhotos que avançava com mais de 400 milhões de indivíduos por dentro da Argentina.
Terra de José Hernández que presenteou o mundo com o livro “Martin fierro”, o qual tornou-se o livro símbolo de seu povo e também dos povos campesinos do sul do Brasil e do Uruguai.
Essa grande quantidade de gafanhotos certamente seria extremamente nociva aos diversos cultivos da região.
Bovinocultura
O produtor Rural Ivo Wagner, trabalha com a atividade pecuária e agricultura desde que nasceu e faz parte da quarta geração de Pecuaristas da família Wagner, principalmente nas atividades de bovinocultura de corte, ovinos e integração lavoura pecuária em algumas áreas.
Seu estabelecimento rural está localizado no município de Quaraí no Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai, desenvolve a pecuária em duas médias propriedades aproveitando o potencial e aptidão do campo de cada uma delas, pois, toda a produção é desenvolvida em base à campo nativo (pastagem natural), portanto em perfeita harmonia com nosso meio ambiente ou nosso bioma que é o Pampa.
“Estamos procurando estabilizar os animais na raça sintética Braford, e nos ovinos produzimos carne e lã com uma raça chamada ideal, bem como, a produção de cavalos crioulos para o uso nas atividades do campo.” afirma Ivinho, como é conhecido na região.
Como bem sabemos, a carne oriunda dos campos do Uruguai e do extremo sul do Brasil é uma das carnes de melhor qualidade, e a produção do senhor Ivo Wagner, segundo ele, é escoada, principalmente para frigoríficos que atuam no estado do Rio Grande do Sul, “Não comercializo muito com os frigoríficos exportadores, mas as vezes que comercializei os animais foram direcionados para exportação”, enfatiza Ivo Wagner.
Grãos
Quanto a produção de grãos, dentro de um sistema de integração, lavoura/pecuária, Ivinho, assim como outros produtores da região, exploram áreas que possuam aptidão com arroz irrigado e buscam também iniciar o cultivo de Soja, mas em área marginal pela frequência de estiagens no verão.
Pela consciência ecológica e a preocupação com o meio ambiente e ações sustentáveis, a grande maioria da produção do produtor quaraiense, é realizada sobre campo nativo, típico do bioma pampa e utilizando técnicas de conservação e preservação desse recurso.
Dentro deste contexto de atividade produtiva rural, em meio uma pandemia que ainda não se sabe até quando e a que ponto vai afetar a economia brasileira e mundial, esses produtores que já enfrentam problemas graves, como a estiagem que afetou em grande escala a produção no Rio Grande do Sul nos últimos meses, surge a incerteza quanto a “nuvem” de gafanhotos da Argentina.
“Estamos desde o princípio monitorando o movimento da nuvem de gafanhotos e acompanhando com preocupação.” ressalta Ivinho. Foi realizado um controle da referida “nuvem” na Argentina, e o frio típico dessa época do ano, gerou uma barreira de proteção que acabou por dificultar a entrada desses insetos no município de Quarai e consequentemente no estado do Rio Grande do Sul.
“Fica a preocupação de terem realizado postura, e de esses insetos tornarem – se um problema para o próximo ano, contamos com a atuação e estudo das autoridades do Mapa para monitorar o que ocorrerá daqui pra frente”, Finaliza Ivo Wagner.
Edição: Dulce Maria Rodriguez
Fotos: Reprodução


2 thoughts on ““De Já hoje”…Na fronteira extremo sul do Brasil”
Núbia Pinheiro
(setembro 8, 2020 - 11:28 pm)Preciso muito falar com Antônio Ximenes, meu fone é 999128197
Dulce Maria Rodriguez
(setembro 9, 2020 - 4:00 pm)Olá! Estarei passando sua mensagem. Posso lhe ajudar?