Por Beatriz Costa
A 30ª edição da Conferência das Partes da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima) começa oficialmente em 10 a 21 de novembro de 2025, na cidade de Belém (PA), Brasil.
Antes da abertura formal, nos dias 6 e 7 de novembro, ocorre uma cúpula de chefes de Estado e representantes de alto nível, onde mais de 70 presidentes e representantes de governos de países já desembarcaram em Belém para o evento.
Na prática, esse encontro antecedente busca dar peso político às negociações que se seguirão ao longo da COP30, pressionando por compromissos mais concretos para agir contra a crise climática.
Quem está presente
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Representantes de mais de 70 países já chegaram à capital paraense para a Cúpula do Clima.
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Somando embaixadores, diplomatas e delegações, mais de cem governos estrangeiros são credenciados para participar.
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A presidência da COP30 está a cargo do Brasil, representado pelo diplomata André Corrêa do Lago.
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Também está presente o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que ministra o discurso de abertura e lidera reuniões bilaterais com diversos líderes internacionais.
O que será discutido
A cúpula e a conferência buscam:
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Avaliar e renovar os compromissos nacionais de clima, conhecidos como NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), com horizonte para 2035.
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Mobilizar recursos financeiros para países vulneráveis, além de viabilizar tecnologias de baixo carbono, adaptação às mudanças climáticas e preservação de florestas tropicais.
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Dar à região amazônica, palco da conferência, um destaque simbólico e prático nas discussões: a escolha de Belém reforça o papel do bioma como estratégico para o clima global.

O discurso de Lula
No discurso de abertura, o presidente Lula destacou:
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A urgência de ação efetiva — “Não é hora de negociar, é hora de implementar”, conforme ressaltado também pelo secretário-geral da ONU.
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O papel simbólico e real do Brasil: sediar a COP30 na Amazônia reflete sua posição na agenda climática global.
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A necessidade de conciliar justiça social, desenvolvimento e meio ambiente — apontando que as promessas não podem permanecer apenas no papel.
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Em artigo prévio, Lula alertou para “forças extremistas que fabricam mentiras para defender um modelo que perpetua a degradação ambiental”.
Relevância para agronegócio, meio ambiente e segurança
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Agronegócio: A COP30 representa uma oportunidade de reafirmar compromissos sobre uso da terra, cadeias produtivas sustentáveis e mecanismos de produção de baixo impacto ambiental, especialmente em regiões-chave como a Amazônia.
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Meio ambiente: A conferência, realizada na Amazônia, coloca o segundo maior bioma tropical do mundo no centro das atenções. A proteção das florestas tropicais, tanto por sua biodiversidade quanto por seu papel como sumidouro de carbono, está entre os eixos principais da conferência.
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Forças Armadas e logística estatal: Em regiões remotas como a Amazônia, a logística, segurança e infraestrutura são essenciais para o evento — o que mobiliza múltiplas esferas governamentais, incluindo instituições de soberania e defesa.
Por que esta edição é estratégica
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O número elevado de líderes presentes desde o início (mais de 70) sinaliza a mobilização global em torno das negociações climáticas.
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O Brasil assume o protagonismo como sede, com a COP30 sendo considerada uma oportunidade histórica de reafirmação internacional no tema climático.
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A escolha de Belém como cidade-anfitriã — e a participação efetiva de chefes de Estado — reforçam que o evento vai muito além de discurso técnico: trata-se de diplomacia, de governança global e de economia de biomas.

