Fogo atingiu área central dos estandes da Blue Zone em Belém, forçando evacuação total, suspensão das atividades e entrega temporária do espaço pelo sistema ONU ao governo brasileiro. Segurança e risco de novos focos definem os próximos passos
Por Antonio Ximenes, diretor de redação e correspondente na COP30 em Belém-PA.
A COP30 viveu um dos episódios mais tensos de sua história recente após um incêndio atingir a Zona Azul (área de negociações de alto nível entre países) obrigando a evacuação completa do espaço. A partir do momento em que o sistema ONU se retirou da área, por protocolo de segurança, a responsabilidade pela retomada ficou integralmente nas mãos do Brasil.
O incêndio ocorreu na região central dos estandes, próximos aos pavilhões da Índia e da Itália. Apesar da proporção significativa das chamas e da grande quantidade de fumaça, ninguém ficou gravemente ferido. Algumas pessoas foram atendidas por inalação, e todas as delegações foram retiradas rapidamente.
Brasil assume controle e aguarda avaliação técnica
Com a saída da ONU, o governo brasileiro passou a responder sozinho pela segurança da Blue Zone e da Green Zone, esta última conectada fisicamente ao espaço principal da Conferência e também evacuada.
O Corpo de Bombeiros trabalha em três frentes:
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Análise elétrica completa,
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Avaliação de materiais combustíveis no entorno,
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Rescaldo minucioso para impedir reignição do fogo.
Somente após esse conjunto de autorizações técnicas será possível permitir o retorno das delegações e reabrir os espaços.
A orientação técnica é clara: nenhuma atividade pode ser retomada enquanto houver qualquer chance, mesmo mínima, de novos focos aparecerem.
Negociações impactadas e risco de prolongamento da COP30
Até a ocorrência do incêndio, as conversas sobre adaptação climática avançavam com boas perspectivas de consenso global. Havia expectativa de que a COP30 pudesse fechar acordos importantes ainda esta semana.
No entanto, com a interrupção forçada, cresce a possibilidade de extensão da Conferência até domingo, ou além, uma prática que, embora incomum, já ocorre em edições anteriores quando há impasses ou eventos extraordinários.
Neste caso, o fator decisivo é exclusivamente a segurança. As negociações serão retomadas apenas quando o governo brasileiro e os bombeiros confirmarem total ausência de risco.
ONU se retira por protocolo e aguarda garantias
A retirada do sistema ONU não representa crítica diplomática, mas segue o protocolo padrão de segurança internacional: proteger vidas acima de qualquer operação política. Delegações estrangeiras só podem retornar ao local após a confirmação técnica brasileira de que não há perigo.
Se as equipes de segurança derem sinal verde, a ONU retoma imediatamente as atividades e o calendário volta a correr, mesmo que avance para sexta, sábado, domingo ou início da próxima semana.
Momento mais sensível da COP30
Belém vive, agora, um dos instantes mais delicados da Conferência. O Brasil se mobiliza para restabelecer a normalidade e garantir que a COP30 siga como espaço seguro e viável para os debates climáticos globais.
Até lá, segue a orientação: segurança antes de qualquer decisão diplomática.


