Por Beatriz Costa
A tensão entre Irã e Israel ganhou novos capítulos em 2024 e 2025, com ataques aéreos e trocas de ameaças que escalaram um conflito historicamente alimentado por disputas ideológicas, políticas e territoriais. Embora os dois países nunca tenham travado uma guerra declarada, os embates indiretos vêm se intensificando nas últimas décadas — e agora ameaçam a estabilidade de todo o Oriente Médio.
Como começou a rivalidade?
A hostilidade entre Israel e Irã remonta à Revolução Islâmica de 1979, quando o regime do aiatolá Ruhollah Khomeini passou a considerar Israel um inimigo do Islã e um representante do “imperialismo ocidental” na região. Desde então, o Irã cortou relações diplomáticas com Tel Aviv e passou a apoiar grupos armados contrários à existência do Estado israelense, como o Hezbollah (no Líbano) e, mais recentemente, o Hamas (na Faixa de Gaza).
Israel, por sua vez, vê o Irã como uma ameaça existencial, especialmente após a ampliação do programa nuclear iraniano. O governo israelense acusa Teerã de tentar produzir armas nucleares, o que o Irã nega, dizendo que seu programa tem fins pacíficos.
O que motivou os ataques mais recentes?
O estopim mais recente ocorreu em abril de 2024, quando o Irã lançou um ataque com drones e mísseis contra Israel, em resposta ao bombardeio israelense contra o consulado iraniano em Damasco, na Síria — um ataque que matou comandantes da Guarda Revolucionária iraniana.
Foi a primeira vez que o Irã atacou diretamente o território israelense com armamento pesado, elevando o risco de uma guerra aberta. Em resposta, Israel lançou ataques contra alvos militares iranianos na Síria e intensificou sua retórica contra o regime iraniano.
Como o conflito afeta o restante do mundo?
O confronto entre Irã e Israel tem consequências globais:
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Aumento no preço do petróleo: O Irã é um dos maiores produtores da commodity, e qualquer instabilidade na região do Golfo Pérsico — onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — causa incerteza nos mercados.
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Crise humanitária: Os conflitos armados geram deslocamentos forçados e impactos diretos sobre civis, principalmente na Síria, no Líbano e na Faixa de Gaza.
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Pressão sobre grandes potências: Estados Unidos e aliados europeus tendem a apoiar Israel, enquanto Rússia e China mantêm relações estratégicas com o Irã, o que pode polarizar ainda mais o cenário internacional.
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Risco de uma guerra regional: Especialistas temem que uma escalada envolva países vizinhos como Síria, Líbano, Iraque e Iêmen, que abrigam milícias apoiadas por Teerã.
O que dizem os especialistas?
Para o analista de relações internacionais Daniel Azevedo, o conflito entre Irã e Israel é um reflexo das disputas por influência no Oriente Médio e pode impactar diretamente a segurança global.
“O mundo assiste a uma disputa entre dois polos de poder regional com narrativas religiosas e ideológicas opostas. O problema é que, em meio à polarização global, esse conflito se torna uma peça de xadrez geopolítica”, afirma.
Já a professora Rana Khalil, especialista em geopolítica do Oriente Médio, lembra que o envolvimento direto dos dois países amplia o risco de erros de cálculo.
“Quando o conflito sai da guerra por procuração e vira confronto direto, o risco de uma guerra maior se multiplica. E isso é um cenário que ninguém quer ver”, diz.
Existe chance de acordo?
Apesar dos esforços de mediação por parte da ONU e de países como Catar, Turquia e Oman, a possibilidade de um acordo duradouro entre Israel e Irã ainda parece distante. A falta de diálogo direto, somada ao fortalecimento de lideranças mais radicais nos dois lados, dificulta qualquer tentativa de cessar-fogo duradouro.
O que esperar agora?
Analistas indicam que 2025 será um ano decisivo. O comportamento de potências internacionais e a disposição das lideranças israelenses e iranianas em evitar uma guerra aberta serão determinantes. Enquanto isso, o mundo acompanha com apreensão os desdobramentos desse conflito que, embora regional, tem ramificações que podem atravessar fronteiras.

