Como a COP30 pode fortalecer políticas públicas ambientais no Norte do Brasil

Por Beatriz Costa

Com a realização da COP30 em Belém (PA), em 2025, o Norte do Brasil se torna protagonista na principal conferência mundial sobre mudanças climáticas. A presença da comunidade internacional no coração da Amazônia levanta expectativas quanto à formulação e ao fortalecimento de políticas públicas ambientais voltadas à realidade amazônida — marcada por desafios históricos como o desmatamento ilegal, a mineração predatória e a vulnerabilidade de populações tradicionais.

Segundo especialistas, o evento oferece uma janela estratégica para transformar compromissos globais em ações locais concretas. A doutora em Ciências Ambientais e pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Luciana Pereira, destaca que a COP30 pode ser o ponto de inflexão para repensar o modelo de desenvolvimento na região.

“A COP30, sediada em Belém, simboliza o reconhecimento do papel central da Amazônia no equilíbrio climático. A partir daí, podemos pressionar por políticas que unam preservação e geração de renda para comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas”, explica.

O deputado federal pelo Amazonas, José Carlos da Silva (PV-AM), avalia que a conferência trará visibilidade internacional para as pautas amazônicas que, historicamente, têm pouca representatividade no Congresso Nacional.

“Não basta acolher os debates da COP. Precisamos sair dela com compromissos nacionais firmes, como o fortalecimento do Fundo Amazônia, apoio à bioeconomia e incentivo à fiscalização ambiental”, pontua.

Investimento e protagonismo local

Com a atenção voltada para o Pará e para o bioma amazônico, representantes políticos e técnicos defendem que os investimentos públicos federais sejam direcionados à estruturação de órgãos ambientais locais, à regularização fundiária e ao combate às queimadas.

A senadora Maria do Carmo Almeida (REDE-PA), integrante da Comissão de Meio Ambiente do Senado, defende que os estados do Norte estejam na liderança das discussões:

“Precisamos garantir que os recursos climáticos internacionais sejam aplicados com transparência e prioridade nos estados amazônicos. E isso passa por um pacto federativo ambiental com protagonismo regional”, afirma.

Comunidades tradicionais no centro das soluções

Para lideranças indígenas e de povos tradicionais, a COP30 deve ir além dos debates técnicos e garantir a escuta ativa de quem vive na floresta. A coordenadora da Associação de Mulheres Indígenas do Alto Solimões, Tatiane Yawanawá, reforça que o evento deve ser uma plataforma para a valorização do conhecimento ancestral e das práticas sustentáveis.

“A floresta está viva porque nossos povos cuidam dela. Precisamos ser consultados, ouvidos e incluídos na formulação de políticas que nos afetam diretamente”, afirma.

Desafios ainda persistem

Apesar das expectativas, o caminho para consolidar políticas públicas efetivas no Norte passa por entraves como a falta de infraestrutura, dificuldade de acesso à internet em comunidades remotas, e a necessidade de formação técnica de gestores locais.

Para o pesquisador do Instituto Socioambiental (ISA), Eduardo Neves, é fundamental garantir que o legado da COP30 se estenda para além dos discursos:

“O sucesso da conferência dependerá da capacidade do governo de transformar promessas em ações. O Norte precisa deixar de ser apenas cenário e passar a ser agente do desenvolvimento sustentável”, conclui.

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