Com recorde de candidatos, Portugal vai às urnas para definir novo presidente

Por Beatriz Costa

No dia 18 de janeiro de 2026, Portugal realiza suas eleições presidenciais para eleger o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, cujo mandato se encerra em março de 2026. O atual chefe de Estado está constitucionalmente impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Caso nenhum dos candidatos alcance mais de 50% dos votos válidos na primeira votação, o processo eleitoral poderá ser decidido em segundo turno, previsto para 8 de fevereiro de 2026, cenário considerado provável diante do número recorde de candidatos que disputam o cargo.

Portugal adota como forma de governo uma República Semipresidencialista e Democrática, baseada na separação de poderes entre o Presidente da República, que exerce a função de Chefe de Estado; a Assembleia da República, responsável pelo Poder Legislativo; e o Governo, que integra o Poder Executivo e é chefiado por um Primeiro-Ministro. Nesse modelo, o poder executivo é partilhado entre o Presidente e o Primeiro-Ministro, combinando características dos sistemas parlamentarista e presidencialista.

Diferentemente do Brasil, o voto em Portugal não é obrigatório. A participação nas eleições é facultativa, cabendo ao cidadão decidir se deseja ou não exercer o direito de voto, tanto em território nacional quanto no exterior.

Como funcionam as eleições presidenciais em Portugal

Sistema eleitoral

  • O presidente é escolhido em eleição direta pelos cidadãos portugueses.

  • Para ser eleito, o candidato precisa atingir maioria absoluta (mais de 50%) na primeira volta.

  • Se isso não ocorrer, os dois mais votados disputam uma segunda volta cerca de três semanas depois.

Quem pode concorrer

  • Ser cidadão português de origem.

  • Ter mais de 35 anos.

  • Recolher entre 7.500 e 15.000 apoios eleitorais validos.

Funções da Presidência

A Presidência da República em Portugal é um cargo essencialmente moderador e de representação do Estado, com poderes como:

  • Garantir o funcionamento regular do Estado e das instituições democráticas.

  • Representar Portugal internacionalmente.

  • Comandar as Forças Armadas.

  • Nomear o primeiro-ministro e, em casos extremos, dissolver o Parlamento.

Apesar de seu papel ser em grande parte cerimonial, o presidente possui influência política relevante, sobretudo em tempos de instabilidade parlamentar.

Principais candidatos (2026)

As eleições de 2026 registraram um recorde histórico de 11 candidatos, refletindo uma disputa fragmentada e competitiva. Entre os nomes em destaque estão:

Henrique Gouveia e Melo (Independente)
Ex-almirante da Marinha, ganhou projeção nacional ao coordenar a campanha de vacinação contra a Covid-19. Apresenta-se como candidato de perfil técnico, moderado e agregador, defendendo estabilidade institucional e unidade nacional.

Luís Marques Mendes (PSD)
Ex-líder do Partido Social Democrata, tem longa trajetória política e atuação como comentador político. Defende valores do centro-direita, com discurso voltado à responsabilidade institucional e ao equilíbrio entre os poderes.

António José Seguro (PS)
Ex-secretário-geral do Partido Socialista e antigo presidente da Assembleia da República. Sua candidatura aposta na experiência política, no diálogo democrático e na defesa do Estado social.

André Ventura (Chega)
Deputado e fundador do partido Chega, representa a direita populista. Defende discurso duro contra a corrupção, imigração e criminalidade, sendo uma das candidaturas mais polarizadoras do pleito.

João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal)
Ex-presidente da Iniciativa Liberal, defende redução do papel do Estado na economia, liberalismo econômico e reformas estruturais, com foco em eficiência e meritocracia.

Catarina Martins (Bloco de Esquerda)
Ex-coordenadora do Bloco de Esquerda, tem trajetória ligada a pautas sociais, direitos trabalhistas, igualdade de gênero e justiça social. Representa o campo da esquerda progressista.

António Filipe (PCP)
Deputado histórico do Partido Comunista Português, apresenta uma candidatura focada na defesa dos trabalhadores, dos serviços públicos e da soberania nacional.

Jorge Pinto (LIVRE)
Ligado ao partido LIVRE, apresenta uma candidatura com foco em sustentabilidade, democracia participativa, direitos humanos e integração europeia.

André Pestana (Independente)
Dirigente sindical e professor, defende pautas ligadas à educação, valorização do funcionalismo público e justiça social, com discurso crítico às desigualdades.

Humberto Correia (Independente)
Candidato com discurso voltado à cidadania, ética na política e fortalecimento da democracia, com menor projeção nacional.

Manuel João Vieira (Independente)
Artista e músico conhecido do público português, apresenta uma candidatura de caráter simbólico e alternativo, tradicional em eleições presidenciais, com tom crítico e satírico ao sistema político.

Pesquisas recentes indicam uma disputa equilibrada entre Gouveia e Melo e Ventura, com nenhum dos dois alcançando maioria absoluta na primeira votação, o que reforça a possibilidade de uma segunda volta.

O papel dos portugueses no exterior e no Brasil

Portugueses que vivem no Brasil

Portugal conta com uma grande diáspora espalhada pelo mundo. Estimativas recentes apontam que cerca de 1,8 milhões de portugueses vivem fora do país, e mais de 146 mil estão no Brasil segundo dados calculados pelo Observatório da Emigração em 2024.

O Brasil é um dos principais destinos da diáspora portuguesa nas Américas, ao lado dos Estados Unidos e Canadá.

Quem pode votar

Todos os cidadãos portugueses com mais de 18 anos de idade e recenseados eleitoralmente podem votar, incluindo aqueles residindo no exterior no consulado ou seção consular correspondente.

O recenseamento eleitoral é automático para portugueses que obtêm ou renovam o Cartão de Cidadão, mesmo quando vivem fora de Portugal, sendo inscritos nas secções consulares.

Votação no Brasil

Os cidadãos portugueses residentes no Brasil podem votar formalmente em suas embaixadas ou consulados, como o de Brasília, que organiza votação presencial antes e durante os dias do pleito.

Para votar, é necessário apresentar Cartão de Cidadão (ou documento de identificação equivalente) e estar recenseado no exterior.

Historicamente, apesar da votação externa ser um direito garantido, a participação efetiva tende a ser mais baixa que a expectativa, com dezenas de milhares de portugueses residentes no exterior participando.

Comunidade portuguesa no Brasil reforça laços com o país de origem ao participar do processo democrático

A participação da diáspora é relevante em eleições presidenciais, pois o voto externo pode influenciar o resultado, especialmente em uma disputa tão fragmentada como a de 2026. Embora os eleitores fora de Portugal representem uma fração menor do total, eles podem ser decisivos em uma corrida apertada, especialmente se houver segundo turno.

Além disso, muitos portugueses no Brasil mantêm vínculos culturais, econômicos e familiares com Portugal, fazendo da eleição presidencial um momento de engajamento com o futuro político de seu país de origem.

As eleições presidenciais portuguesas de 18 de janeiro de 2026 prometem ser um dos pleitos mais competitivos dos últimos anos, com recorde de candidatos e um cenário político fragmentado.

O papel do presidente, embora tradicionalmente mais simbólico, continua a ser estratégico na política interna, especialmente em tempos de polarização e desafios sociais.

Para os portugueses que vivem no Brasil e em outros países, o direito de votar significa estar presente no processo democrático de sua terra natal, um direito que muitos já exercem e que pode ter impacto no desfecho das eleições.

Post Author: Beatriz Costa

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