Cientistas alertam para descompasso entre negociações da COP30 e a urgência climática real

Cientistas renomados emitiram nesta quarta-feira (19) uma crítica contundente ao texto atualmente em discussão nas negociações da COP30, caracterizando-o como “fora da realidade do planeta” diante do cenário climático urgente. Durante evento no Pavilhão da Ciência Planetária, eles apresentaram um documento que tempo de responder à emergência crescente com ações concretas, e não apenas discursos simbólicos.

O grupo, formado por climatologistas como Carlos Nobre, Thelma Krug e Johan Rockström, afirma que as propostas negociadas pela conferência falham em refletir a gravidade da crise climática. De acordo com a declaração, o acordo em construção não contempla cortes ambiciosos de emissões nem ações efetivas para zerar desmatamento, degradação florestal e fogo. Para eles, os caminhos atuais não podem ser tratados como “workshops” diplomáticos, mas sim como planos de ação reais.

O texto entregue aos negociadores chama atenção para a necessidade de zerar a dependência de combustíveis fósseis até 2040, no máximo 2045, e reforça que a meta ambiciosa deve incluir o fim imediato de novas concessões, remoção de subsídios e a eliminação gradual da exploração predatória. Além disso, destacam a exigência de um orçamento global de carbono, apontado por eles como a principal ferramenta para manter a crise climática dentro de limites administráveis, e que, segundo eles, já está quase esgotado.

Segundo os cientistas, o orçament o restante de carbono global é de apenas 130 bilhões de toneladas de CO₂, o que equivale a cerca de três a quatro anos de emissões no ritmo atual. Se esse recurso restante não for usado de forma estratégica, alertam, as negociações da COP30 estarão automaticamente fora da realidade necessária para proteger vidas e ecossistemas.

Para eles, a COP30 está diante de uma escolha crítica: ou preserva a natureza e a vida humana, ou prioriza os interesses da indústria de combustíveis fósseis. A declaração científica alerta que muitas das posições negociadas até agora parecem favorecer o segundo cenário — colocando em risco a credibilidade e a efetividade da conferência.

Post Author: Beatriz Costa

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