O governo da China implementou uma proibição total da pesca comercial ao longo de grande parte do rio Yangtzé, a mais extensa bacia hidrográfica do país, em uma estratégia ambiental de longo prazo que deverá vigorar por 10 anos como parte de um esforço para recuperar a biodiversidade fluvial. A medida, em vigor desde 2021, já resultou na retirada de mais de 111 000 embarcações de pesca e no reassentamento de dezenas de milhares de pescadores, com investimentos públicos direcionados à mitigação dos impactos sociais e à restauração ecológica.
A proibição de pesca, instituída por meio da Lei de Proteção do Rio Yangtzé e reforçada com fiscalização rigorosa, tem como objetivo interromper décadas de declínio acelerado dos recursos aquáticos provocados por sobrepesca, poluição, barragens, tráfego de grandes embarcações e destruição de habitats naturais. Especialistas internacionais avaliam que a proibição constitui uma das ações mais drásticas já aplicadas em larga escala para tentar reverter a perda de biodiversidade em rios de grande porte.
O plano de conservação incluiu o recolhimento de barcos, o reassentamento de cerca de 231 000 pescadores afetados, e a destinação de mais de US$ 2,7 bilhões (aproximadamente) em programas de apoio econômico, seguro social e treinamento profissional para as comunidades locais, de forma a aliviar os custos sociais da decisão drástica.
Os primeiros resultados científicos indicam sinais promissores de recuperação ecológica: a biomassa total de peixes no rio teria dobrado em comparação com níveis anteriores à proibição, e o número de espécies identificadas aumentou, sugerindo um repovoamento de trechos que antes mostravam graves reduções na fauna aquática. Espécies vulneráveis, como o boto-sem-nadadeira do Yangtzé, também têm apresentado crescimento populacional após o início da proibição.
Além do banimento da pesca, o governo chinês tem reforçado outras políticas ambientais complementares, incluindo o controle de poluentes, a restauração de zonas ribeirinhas e a gestão integrada dos recursos hídricos, como parte de um esforço mais amplo para promover a sustentabilidade ecológica da bacia do Yangtzé.
Especialistas alertam que, embora os primeiros sinais sejam positivos, o êxito a longo prazo dependerá da implementação contínua de medidas de manejo sustentável e da manutenção de programas de proteção e fiscalização ao longo de toda a década da proibição.
Fonte: CPG Click Petróleo e Gás

