O governo do Panamá assumiu na segunda-feira (23 de fevereiro de 2026) o controle de dois importantes portos nas entradas do Canal do Panamá que eram operados por uma empresa com sede em Hong Kong. A decisão acontece após a Suprema Corte panamenha declarar inconstitucionais os contratos de concessão que davam à subsidiária da CK Hutchison a gestão dos terminais de Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico), encerrando quase 30 anos de operação pela empresa estrangeira.
Segundo o governo panamenho, a medida foi tomada em cumprimento da decisão judicial e visa garantir a continuidade das operações portuárias em um dos principais corredores do comércio global, sem interromper o fluxo de navios e cargas. A Autoridade Marítima do Panamá tomou posse formal das instalações e dos equipamentos necessários para manter o funcionamento dos terminais enquanto se organiza um novo processo de concessão.
Como solução transitória, a administração dos portos foi entregue a operadores estrangeiros, a divisão APM Terminals do grupo dinamarquês Maersk assumiu a gestão de um terminal, enquanto a operadora ligada à suíça MSC passou a gerir o outro, até que um novo contrato de longo prazo seja formalizado.
A empresa CK Hutchison Holdings, de Hong Kong, criticou a tomada de controle, classificando-a como “ilegal” e afirmando que pode buscar reparação por meio de arbitragens internacionais, além de relatar que as ações foram executadas sem coordenação ou consentimento de sua subsidiária.
A polêmica ocorre em um contexto de concorrência geopolítica entre Estados Unidos e China pela influência em infraestrutura estratégica. A decisão do Judiciário panamenho e sua operacionalização pelo governo foram saudadas por setores dos EUA como um reforço do controle soberano do país sobre seus ativos, mas provocaram protestos das autoridades de Hong Kong e de Pequim, que afirmaram que vão proteger os interesses de suas empresas afetadas.
Fonte: Poder360

