Beijing — A China instalou mais de 10.000 quilômetros de tubulações submarinas até agora, numa estratégia voltada a fortalecer sua independência energética via infraestrutura marítima. O país planeja elevar essa marca para cerca de 13.000 km até 2030, segundo dados recentes.
Offshore como pilar energético
A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo do governo chinês para diversificar suas fontes de energia e ampliar tanto a produção offshore — como parques eólicos, usinas solares flutuantes e extração de gás ou petróleo no mar — quanto sua capacidade de transporte e distribuição do que é gerado ou extraído nesses ambientes.
Tubulações profundas e tecnológicas
Desde 2021, a China instalou mais de 1.500 km de novas tubulações, algumas alcançando profundidades superiores a 1.500 metros — classificadas como águas ultraprofundas.
Esses condutos variam muito em diâmetro: há tubos finos (menos de 3 cm) e outros com mais de 1,20 m, capazes de transportar petróleo, gás natural ou futuros combustíveis “verdes” sob condições extremas. Eles são projetados para resistir a pressões elevadas, altas temperaturas (até cerca de 120 ºC internamente), e contêm materiais e revestimentos anticorrosivos.

Projetos destacados
Dois empreendimentos chamam atenção:
-
Rede da Baía de Hohai: com mais de 3.200 km de condutos, voltados ao transporte de petróleo bruto e gás, densamente interligada.
-
Deep Sea No.1: campo de gás ultraprofundos operado completamente por empresas chinesas, localizado a cerca de 1.500 metros de profundidade.
Outro dado significativo é o desenvolvimento de embarcações próprias para instalar essas tubulações em grandes profundidades, como o navio-guindaste Hai Yang Shi You 201, projetado para operar em águas de até 3.000 metros.
Objetivos e implicações
Esse esforço visa dois grandes objetivos:
-
Independência energética — Menor dependência de importações de combustíveis fósseis ou de gás, além de ter controle direto sobre larga parte da infraestrutura necessária para transportar energia extraída no mar.
-
Descarbonização — Com o desenvolvimento de energias renováveis offshore e a expectativa de usar essas tubulações também para futuros combustíveis “verdes”, como hidrogênio.
Desafios técnicos e ambientais
Construir e operar essas tubulações em águas profundas envolve desafios expressivos, tanto do ponto de vista técnico — pressão, corrosão, manutenção — quanto ambiental, exigindo avaliações rigorosas de impacto, proteção de ecossistemas marinhos e gestão de possíveis vazamentos ou acidentes. Embora a matéria de base não entre em detalhe sobre esses riscos, eles são uma parte inevitável desse tipo de empreendimento.

