O governo federal inaugurou, em Manaus, o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI/Amazônia), uma estrutura inédita destinada a enfrentar crimes que se estendem por múltiplas fronteiras.
O CCPI/Amazônia reúne agentes de segurança federais do Brasil e de oito países da Pan-Amazônia, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, além de representantes dos nove estados que compõem a Amazônia Legal. A Polícia Federal será responsável pela coordenação e administração das atividades do centro.
Em sua fala, o coordenador do CCPI/Amazônia, Paulo Henrique Rocha, enfatizou a relevância da iniciativa:
“O trabalho principal aqui é de integração entre essas forças… para que se elaborem planejamentos operacionais conjuntos e integrados, para que se dê um combate efetivo à criminalidade na região.”
O delegado de planejamento do centro, Adriano Sombra, reforçou a agilidade que a presença conjunta de diferentes nações proporcionará:
“Era muito dificultoso, porque os crimes não têm fronteiras… quando você tem o país trabalhando aqui, lado a lado… pode fazer essa troca de informações de forma muito mais rápida e de fato colaborar para a investigação como um todo.”
Tecnologia a serviço da segurança ambiental
A tecnologia será aliada estratégica do CCPI/Amazônia. O centro contará com um sistema de monitoramento por satélite que, por meio de mapas interativos, identifica e sinaliza incidentes ambientais por meio de cores, uma ferramenta eficaz para orientar investigações e ações de resposta imediata.
Desde junho, já em fase de testes, o CCPI contribuiu em operações de grande impacto, como a ação no garimpo ilegal em Maués (AM), em que cerca de 50 pessoas foram resgatadas em situação análoga à escravidão.
A procuradora do Trabalho, Joali Oliveira, destacou a importância da integração entre instituições: “É essencial que todos esses órgãos entrem em contato e façam alinhamento… para que cada um, dentro da sua expertise, possa levar o serviço público a esse trabalho que é importantíssimo para a região.”
O major Michael León Rivera, da Polícia do Peru, também ressaltou o valor da união de esforços transnacionais: “O Peru tem sérios problemas na Amazônia, que também são compartilhados com outros países da região. Entendo que o espírito deste centro é articular e coordenar para obter melhores resultados na luta contra esse tipo de crime.”

