Carbono como trilha de esperança: enviado da COP30 defende ajudar a Amazônia a transformar valor ambiental em oportunidade econômica

Denis Minev, economista, CEO da varejista Bemol e investidor em projetos sustentáveis na Amazônia, foi nomeado pela presidência da COP30 como enviado especial para representar o setor privado da região. Neste papel, ele tem escutado as demandas locais, promovido o diálogo com lideranças climáticas nacionais e internacionais e defendido um protagonismo renovado da Amazônia na agenda global do clima.

Mato preservado, voz não reconhecida

Em entrevista ao Ecoa (UOL), Minev destacou um sentimento de injustiça entre os amazônidas: “Somos talvez o povo mais responsável na gestão do seu próprio meio ambiente, mas ainda não fomos reconhecidos por isso.” Ele enfatizou que, apesar de mais de 80% da floresta estar preservada—um feito singular—, essa responsabilidade não se converte em oportunidades reais de desenvolvimento sustentável.

Por que o carbono deve ser precificado

Segundo Minev, a viabilidade econômica atual incentiva a pecuária de baixa produtividade, enquanto atividades regenerativas não recebem apoio financeiro nem valorização de seus benefícios ambientais. “Empreendedores respondem a incentivos. Hoje a pecuária faz sentido econômico…, principalmente porque os financiamentos para outras atividades não estão disponíveis e o carbono não está precificado”, explicouq2.

Modelos agroflorestais: futuro possível

Para ele, a solução passa por um novo paradigma: promover sistemas agroflorestais e negócios regenerativos que recuperem a floresta, armazenem carbono e gerem renda e emprego. Destacou alguns dos desafios estruturais:

  • Sistemas agroflorestais demoram de 3 a 4 anos para se consolidar;

  • Requerem capacitação técnica, financiamentos de longo prazo, e redesenho de políticas como o Pronaf e incentivos do Incra;

  • E demandam investimento em assistência técnica através de instituições locais como a Embrapa.

Conclusão: por uma Amazônia protagonista e autossustentável

Na visão de Denis Minev, é urgente abandonar narrativas maniqueístas sobre quem destrói ou protege a floresta e buscar soluções práticas e viáveis. Seu apelo central é claro: a Amazônia não pode ser vista como problema, mas como credora — merecedora de reconhecimento, investimento e protagonismo — na equação ambiental global.

Post Author: Beatriz Costa

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