Brasil assume papel central nas negociações climáticas, lança metas ambiciosas para energia limpa e impulsiona a transição energética na Amazônia.
Por Antonio Ximenes, diretor de redação e correspondente na COP30 em Belém-PA
Belém (PA) — O segundo dia da Cúpula dos Líderes da COP30, realizado no dia 07 de novembro, consolidou o Brasil como uma das principais vozes internacionais nos debates sobre transição energética, descarbonização e políticas de desenvolvimento sustentável. O encontro reuniu representantes de mais de 60 países nas sessões da manhã e deve ultrapassar 160 delegações até o início oficial da conferência, marcado para segunda-feira (10).
O evento foi marcado por anúncios estratégicos e pelo lançamento da Carta de Belém (Belém 4), documento que estabelece novas diretrizes para a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis e traça metas globais para acelerar a transformação da matriz energética mundial.
Brasil reafirma protagonismo na energia limpa
Durante sua intervenção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a aceleração da transição energética em escala global e destacou o potencial brasileiro para ampliar a produção e o uso de energia solar, eólica e biocombustíveis, setores em que o país avança acima da média mundial.
Lula reforçou que o Brasil está disposto a exercer liderança na mudança da matriz energética e ressaltou que o país já opera uma das matrizes mais limpas do planeta, sustentada majoritariamente pela energia hidrelétrica.
Carta de Belém propõe quadruplicar energia renovável até 2035
Ao fim das deliberações, os países presentes aprovaram a Carta de Belém, que estabelece a meta de quadruplicar, até 2035, a substituição da energia fóssil por fontes renováveis. A proposta, apresentada pelo Brasil, foi recebida com amplo apoio por delegações da Europa, América Latina e outras regiões.
A diretriz reforça a posição brasileira como referência mundial em energia limpa, destacando não apenas sua matriz hidrelétrica, que representa mais de 90% da energia produzida no país, mas também o crescimento de novas tecnologias sustentáveis.
Fundo de Florestas Tropicais para Sempre ultrapassa US$ 5,5 bilhões e impulsiona transição no Amazonas
Os debates também evidenciaram o impacto direto do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, que ultrapassou US$ 5,5 bilhões após novos aportes anunciados nesta semana. O Amazonas deve ser um dos principais beneficiados pela política de transição energética financiada pelo fundo.
Com os recursos internacionais, o estado terá condições de avançar na substituição gradual da geração elétrica baseada em óleo diesel por fontes como energia solar, eólica e biocombustíveis, sobretudo em municípios isolados que ainda dependem de sistemas movidos a combustíveis fósseis.
A expectativa é que a mudança reduza significativamente a poluição dos rios amazônicos, especialmente com a descarbonização progressiva da navegação fluvial, que movimenta balsas, barcos e navios nas bacias do Solimões, Amazonas e seus afluentes.
Desenvolvimento sustentável e exploração responsável
Apesar de defender o avanço acelerado das energias limpas, o presidente Lula ressaltou que o Brasil manterá políticas estratégicas de exploração de petróleo, incluindo pesquisas na Foz do Amazonas. O governo destacou, no entanto, que o desenvolvimento econômico deverá caminhar lado a lado com tecnologias de mitigação climática e políticas rigorosas de controle ambiental.
A proposta defende um modelo de equilíbrio entre exploração e preservação, capaz de garantir modernização da navegação, redução de impactos ambientais e maior segurança energética para os estados da Amazônia.
Apoio internacional amplia força do Brasil na COP30
Delegações da Alemanha, Reino Unido, União Europeia, Colômbia, Chile e diversos países latino-americanos manifestaram apoio às diretrizes brasileiras apresentadas na cúpula. O clima geral foi de confiança na capacidade do Brasil de liderar a transição energética em larga escala.
Belém registra recorde de países antes da abertura oficial da conferência
Com mais de 160 países já presentes em Belém e outros 30 previstos para chegar até segunda-feira, a COP30 deve começar com um dos maiores quóruns da história das conferências climáticas.
As deliberações firmadas na Cúpula dos Líderes estão definindo o tom das negociações que seguirão até o dia 21 de novembro, quando o evento será encerrado.


