Brasil concentra mais de 70% da perda líquida de florestas no mundo, alerta agência da ONU

De acordo com a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), braço da Organização das Nações Unidas responsável por agricultura e recursos naturais, o Brasil registra atualmente 2,94 milhões de hectares de perda líquida de florestas por ano, o que representa mais de 70% da perda global.

Embora o país abrigue cerca de 12% das florestas do planeta, essa desproporção coloca o Brasil em posição crítica no cenário internacional de conservação florestal.

O relatório da FAO revela que, no período entre 2015 e 2025, a taxa global de perda líquida de florestas caiu para cerca de 4,12 milhões de hectares anuais, atrás do ritmo mais intenso observado entre 1990 e 2000. No entanto, mesmo com essa queda global, a taxa ainda é considerada “muito elevada”, cerca de 10,9 milhões de hectares por ano em termos de destruição de florestas.

A maior parte desse desmatamento está concentrada em regiões tropicais, onde se encontra cerca de 88% da perda florestal global, com destaque para a região amazônica brasileira. A FAO ainda destaca que, embora haja sinais de desaceleração, a complexidade das pressões, como a expansão agrícola, queimadas, degradação e uso inadequado do solo, continua elevada.

Para o Brasil, o cenário exige urgência. Ainda que haja uma redução em alguns indicadores, com queda na “perda líquida” em relação às décadas anteriores, o volume absoluto permanece alto, o que exige intensificação de políticas públicas, controle do uso da terra e incentivos à conservação. O tema ganha ainda maior relevância frente à realização da COP30, em Belém-PA, em novembro, onde o futuro das florestas tropicais deverá estar no centro das negociações.

Post Author: Beatriz Costa

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