De acordo com o Censo Demográfico 2022, divulgado em 24 de outubro de 2025, o Brasil tem 295 línguas indígenas faladas em território nacional, 21 a mais do que as 274 identificadas no censo anterior, de 2010.
A seguir, as dez línguas com maior número de falantes no país:
-
Tikúna — com 51.978 falantes, é a língua indígena mais falada. A maioria dos falantes vive em terras indígenas.
-
Guarani Kaiowá — cerca de 38.658 falantes, majoritariamente em áreas indígenas.
-
Guajajara — com aproximadamente 29.212 falantes, a grande maioria residente em terras indígenas.
-
Kaingang — falada por cerca de 27.482 pessoas, com 79% vivendo em terras indígenas; há também falantes em áreas urbanas e rurais.
-
Xavante — com 21.772 falantes, 85% vivendo em terras indígenas; há também parcela em regiões urbanas e rurais.
-
Yanomami — cerca de 19.174 falantes, sendo a maioria (aproximadamente 96%) residente em terras indígenas.
-
Sateré-Mawé — com 15.421 falantes, uma parte significativa vive fora de terras indígenas (urbanas ou rurais).
-
Nheengatu — aproximadamente 13.070 falantes; é a única entre as dez mais faladas cuja maioria dos falantes vive fora de terras indígenas.
-
Munduruku — com cerca de 12.961 falantes; é a língua indígena mais falada no estado do Pará.
-
Tukano — com aproximadamente 12.435 falantes, sendo cerca de 60% deles moradores de terras indígenas; outros vivem em zonas urbanas ou rurais.
Panorama geral: línguas, etnias e falantes
-
O Brasil agora contabiliza 391 etnias indígenas declaradas.
-
O número de indígenas que falam alguma língua indígena aumentou significativamente: em 2010 eram cerca de 293,9 mil; em 2022, esse número saltou para 433,9 mil (considerando pessoas com 5 anos ou mais de idade), um crescimento de 47,7%.
-
Se considerarmos todos os falantes com 2 anos ou mais, o total chega a 474,9 mil.
-
Isso mostra um movimento de recuperação e reafirmação da identidade indígena e de suas línguas, em face de anos de declínio e invisibilização.
Algumas observações importantes
-
O aumento no número de línguas e de falantes se deve, em boa parte, a uma modificação metodológica no censo, com classificação mais refinada de etnias e línguas.
-
Também há um fenômeno de revalorização e “autoafirmação” étnica por parte de muitos indígenas, que passaram a se declarar e reivindicar sua origem e língua. Apesar do crescimento absoluto no número de falantes, proporcionalmente, o percentual de indígenas que falam língua indígena em relação ao total da população indígena caiu, porque a população indígena total cresceu mais rapidamente.

