Manifestação em Paris reuniu centenas de tratores e reforçou críticas do setor agrícola ao pacto comercial com países sul-americanos
Agricultores franceses voltaram a protestar nesta terça-feira (13) em Paris contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que envolve Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A mobilização, organizada por sindicatos rurais, levou centenas de tratores às ruas da capital francesa e marcou mais um capítulo da resistência do setor agrícola ao tratado.
O ato foi liderado pela Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA), uma das principais entidades representativas do campo na França. Os manifestantes afirmam que o acordo ameaça a produção local ao permitir a entrada de produtos agrícolas importados a preços mais baixos e com exigências sanitárias e ambientais consideradas menos rigorosas do que as aplicadas aos produtores europeus.
Segundo os agricultores, a concorrência internacional tende a agravar a crise no setor, já pressionado pelo aumento dos custos de produção, como combustíveis, fertilizantes e energia. O grupo também critica a condução do processo de aprovação do acordo, alegando falta de debate amplo no Parlamento Europeu.
Os protestos não se restringem à capital francesa. Nos últimos dias, agricultores realizaram bloqueios em rodovias e portos, como o de Le Havre, além de manifestações em outras cidades do país. A mobilização também ocorre em outros países da União Europeia, demonstrando insatisfação generalizada do setor rural.
Apesar de o presidente Emmanuel Macron afirmar que a França é contrária ao acordo, agricultores temem que o pacto avance no âmbito europeu. Uma nova manifestação está prevista para os próximos dias em Estrasburgo, sede do Parlamento Europeu.
O acordo UE-Mercosul, negociado há mais de duas décadas, prevê a ampliação do comércio entre os dois blocos, mas segue enfrentando resistência de produtores rurais europeus, que cobram garantias de proteção à agricultura local e à segurança alimentar.

