Adeus a Luís Fernando Verissimo: o cronista que fez o Brasil rir de si mesmo

Por Beatriz Costa, editora-chefe

Luís Fernando Verissimo, nascido em Porto Alegre em 26 de setembro de 1936, era filho do também escritor Érico Verissimo. Multifacetado, foi escritor, cronista, romancista, tradutor, cartunista, dramaturgo, roteirista, publicitário, revisor de jornais e músico saxofonista. Reconhecido por seu olhar irônico e delicado sobre o cotidiano, construiu uma carreira que ultrapassou fronteiras e o consolidou como um dos autores mais lidos e admirados do país.

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A força das palavras: cronista e romancista

Verissimo foi um dos cronistas mais populares do Brasil. Seus textos, publicados em jornais como Zero Hora, O Globo e O Estado de S. Paulo, misturavam humor refinado, crítica social e observações do dia a dia. Ao longo da carreira, publicou mais de 70 livros, que venderam entre 5,3 e 5,6 milhões de exemplares, atravessando gerações de leitores.

Entre suas obras mais marcantes estão As Mentiras que os Homens Contam, Comédias da Vida Privada — adaptada para a TV pela Rede Globo —, O Clube dos Anjos e Os Espiões. Criou personagens inesquecíveis como o Analista de Bagé, sátira à psicanálise que virou fenômeno nacional, o detetive atrapalhado Ed Mort e a crítica e mordaz Velhinha de Taubaté, conhecida como “a última pessoa que acreditava no governo”.

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O saxofonista apaixonado

Fora da literatura, Verissimo também cultivava a paixão pela música. Como saxofonista, integrou o grupo Jazz 6, apelidado de “o menor sexteto do mundo”. Com a banda, gravou cinco discos entre 1997 e 2011, unindo descontração e talento musical. Sempre brincava que tocar saxofone lhe dava tanto prazer quanto escrever, ainda que considerasse sua habilidade musical mais modesta.

O legado de um mestre das palavras

O humor inteligente e a sensibilidade de Verissimo marcaram a literatura e o jornalismo brasileiros. Seus personagens continuam vivos na memória cultural do país, assim como seu estilo inconfundível de transformar a vida cotidiana em reflexão, riso e crítica.

Reconhecido nacional e internacionalmente, recebeu prêmios como o Juca Pato – Intelectual do Ano (1997), além de ter romances selecionados entre os melhores do ano pela New York Public Library.

Mais do que escritor, Verissimo foi um observador da alma brasileira. Sua obra permanece como uma biblioteca de espelhos, em que o leitor ri de si mesmo, mas também reconhece suas contradições, suas dores e sua humanidade.

A despedida

Luís Fernando Verissimo morreu no dia 30 de agosto de 2025, em Porto Alegre, aos 88 anos, vítima de complicações de uma pneumonia. Ele estava internado desde 11 de agosto na UTI do Hospital Moinhos de Vento. Nos últimos anos, enfrentava problemas de saúde como doença de Parkinson, sequelas de um AVC sofrido em 2021, além de complicações cardíacas e um câncer ósseo na mandíbula.

O velório ocorreu na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e reuniu familiares, amigos e admiradores. O sepultamento foi reservado, no Cemitério São Miguel e Almas. Em homenagem ao autor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias em todo o país.

Post Author: Beatriz Costa

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