Produção familiar no setor primário é esperança em meio à crise de vendas

Família amazonense não perde tempo com a crise e inova no atendimento aos clientes durante crise do coronavirus

Família continua com produção mesmo diante de crise mundial

É difícil imaginar a larga produção de produtos do setor primário fora do que conhecemos com máquinas, grandes lavouras e toneladas de produtos no período da colheita. Porém há famílias que ainda produzem como nos tempos antigos, em quintais da própria residência e usam o que produzem para a venda e o consumo próprio.

Em 2019, cerca de três toneladas de alimentos foram comercializados por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/estadual) no município de Benjamim Constant. A família Cruz é um exemplo nesse sentido.

O trabalho da família no ramo começou com o Engenheiro Agrônomo, Newton Nogueira da Cruz que decidiu trabalhar na área de produção primária e hoje já contabiliza 11 anos de produção familiar. Os valores variam de R$ 3 a R$ 3,50 e na compra acima de R$ 30,00, a mercadoria é entregue de forma gratuita.

O filho Marcos Eduardo, de 26 anos explica que a família começou com apenas uma estufa de alface americana em formato de hidroponia, uma técnica de cultivar plantas sem solo. A família vende os produtos nas feiras organizadas pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), mas agora estão em um grande dilema nas vendas diante da pandemia mundial.

A produção de alimentos regionais no Amazonas é tão importante que no ano de 2019 foram produzidos mais de 8 mil quilos de alimentos regionais. Todo esse esforço resultou em quase R$ 24 milhões de recursos gerados por meio das Feiras da ADS.

“Hoje temos 12 estufas, começamos apenas com alface americana, atualmente plantamos alface americana, alface crespa, alface roxa, agrião, rúcula, agrião, pimenta de cheiro, salsinha e todas hortaliças”, explica Marcos, filho do engenheiro.

O sítio “Hidrosol Folhosas”, localizado na AM 010, Km 26, Vivenda dos buritis continua com três membros da família e um funcionário externo. Por mês, a família contabiliza 5 mil plantas contando alface, rúcula e agrião.

“É uma quantidade que varia bastante. Tem meses que se vende mais, meses que vende menos. Agora com a paralisação das feiras da ADS em Manaus houve uma queda de um 60% nas vendas. Antes da paralisação a demanda era tão grande que às vezes tirava as hortaliças antes do ponto de crescimento”, relatou.

Inovação

Marcos explica que a família precisou inovar em tempos de pandemia mundial. Enquanto os clientes não podem ira até a feira, a feira de alguma forma vai até o cliente. A empresa já disponibiliza o serviço delivery para escoar a produção. Ele explica que está dando certo e as demandas aumentam a cada semana.

“Nós tínhamos o site para entrega, mas estava desativado porque não precisávamos usar. Após a paralisação, decidimos reativá-lo. Estamos tendo um bom retorno e recepção, ficou prático, além disso, o público que frequenta a feira eram idosos. Nossos clientes recebem produtos frescos, colhidos no mesmo dia”, finalizou.

As entregas das produções nas residências garantem a agricultura familiar e mantém o consumo de amazonenses que dão preferência aos produtos naturais. Em tempos de contágio do vírus e isolamento social, agricultores contornam a crise produzindo o melhor da terra.

Confira o relatório de acompanhamento trimestral do Instituto de Desenvolvimento Agropecuária do Estado do Amazonas (Idam):

No período de Jan/Dez de 2019:

Alface – 29 milhões de pés

Alface Hidropônica – 9 milhões de pés

Brócolis – 35,00 toneladas

Cebolinha – 318 milhões de maços

Chicória – 7 milhões de maços

Coentro – 37 milhões de maços

Couve – 254 milhões de maços

Repolho – 4.056,73 toneladas

Texto: Bruna Oliveira   Fotos: Arquivo pessoal Hidrosol Folhosas 

Post Author: Bruna Oliveira

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