Oitenta mil famílias produzem farinha no Amazonas
Indispensável na mesa do povo do Norte, a farinha é sem dúvida um dos alimentos mais consumidos. Além de rico em proteína, a produção de farinha movimenta a economia amazonense em milhões anualmente. Com a marca de 181 mil toneladas em 2019, superando o ano de 2018, cerca de 80 mil famílias vivem da produção e continuam mantendo o ritmo mesmo com a pandemia mundial.
O amazonense consome cerca de 240 mil toneladas do produto anualmente, diante disso, o engenheiro agrônomo e atual diretor técnico do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), José Milton Barbosa explica como tem sido a produção de farinha nos últimos meses mediante a crise mundial. Ele menciona também a força da agricultura familiar para manter a produção do produto no Amazonas
“Esses produtores estão organizados em produção. Eles não produzem em grande escala. Uma parte do roçado amadurece e é transformada em farinha. A oferta sempre está acontecendo em pequenas quantidades porque é mão de obra familiar. As famílias estão com um pouco mais de cuidado com o advento da pandemia do Coronavírus, mas a produção continua. É claro que se uma família ajudava a outra, agora tomarão um pouco mais de cuidado com a aproximação. O processo não mudou muito”, enfatizou.
A maior preocupação é de desabastecimento nos próximos meses, José explica que isso não irá acontecer, pois por se tratar de agricultura familiar e em pequena escala, a produção continua a todo o vapor nas casas de farinha. Produtores precisam estar atentos aos dias de oferta e transporte do produto para os demais municípios.
“A única coisa que vamos sentir nos últimos meses é na alteração nos processos de destinação ao mercado. Não está sendo possível fazer feira. Podemos de dizer que não haverá desabastecimento de farinha no estado. Os produtores têm os seus roçados ali prontos para transformar em farinha a qualquer hora. O que está sendo necessário é uma maior organização por parte dos produtores na oferta quando o barco que leva a carga circular”, explicou.
O engenheiro confirma também a força familiar na produção do norte e enfatiza que as casas de farinha continuam em produção. “Temos de 70 mil a 80 mil famílias que trabalham com mandioca e outros derivados da raiz de mandioca. Não há uma dificuldade de reorganização e a produção acontece normalmente. As casas de farinha são rudimentares, mas as famílias continuam em produção”, assinalou José.
Os valores variam dependendo do local e de toda a logística envolvida no processo. Em Manaus, na tradicional Feira da Manaus Moderna, o quilo da farinha branca custa entre R$ 5 e R$7. A farinha amarela, com mais preferência da clientela é possível encontrar sacos de R$ 7 a R$ 15, o quilo. Em Tefé, município distante 522 quilômetros da capital, com uma das melhores farinhas artesanais do Amazonas, o valor chega a R$ 6. Ribeirinhos produzem, embalam e vendem no comércio da cidade, por isso, o baixo custo no produto final.
Unidades de conservação
Entre as unidades de conservação estaduais podemos destacar nove delas: Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Floresta Estadual de Maués, RDS Matupiri, RDS do Rio Madeira, Reserva Extrativista (Resex) Canutama, FLOE Canutama, RDS do Juma, Floresta Estadual (FLOE) Tapauá, do Rio Amapá e RDS Piagaçu-Purus.
Todas contribuem diretamente no Projeto Prevenção e Combate ao Desmatamento e Conservação da Floresta Tropical no Estado do Amazonas (Profloram), juntas movimentam R$ 4,5 milhões anualmente, correspondendo a cerca de 26% em todo o estado, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema).
Farinha é mais que número
Segundo dados da Sema (Secretaria de Estado do Meio Ambiente), em 2018 foram movimentados cerca de 4,8 milhões nas Unidades de Conservação do Amazonas. Outro dado significativo do Idam é que das 80 mil famílias que vivem da produção da farinha, cerca de 67 mil possuem a produção de farinha como única fonte de renda. Cada família comercializa sacas de 50kg cada para abastecimento do Estado. A cadeia produtiva da farinha Uarini recebeu a certificação de indicação geográfica do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).
A grande concentração de produção farinha é no rio Madeira. A quantidade de sacas produzidas em 2018 variou entre 500 unidades na RDS do Matupiri a até 7.221 sacas produzidas na RDS do Rio Amapá, em um total de 31.589 sacas produzidas durante todo o ano. Nas feiras é possível encontrar o produto em sacos de um quilo ou mais, dependendo da preferência do cliente.
Em 2019, a famosa farinha de mandioca do tipo ovinha Uarini passa a ser comercializada com o selo Origens Brasil – certificação que garante que o cultivo e/ou a fabricação de um produto têm origem florestal e respeita o meio ambiente e suas populações tradicionais.
Texto: Bruna Oliveira Fotos: Idam e Reprodução

