Produção de farinha, andiroba e copaíba enfrenta desafios no período do Coronavírus em Tefé

A empresa Apoena Agroindustria acredita que dias melhores virão para o setor primário e assim continuam a produzir e gerar emprego e renda em Tefé, no Amazonas 

O Coronavírus afeta a produção de farinha e óleos vegetais em Tefé e região do Médio Solimões. O que antes parecia longínquo e de outro continente chegou batendo forte na porta dos produtores extrativistas e ribeirinhos desta área considerada uma das mais ricas em biodiversidade da floresta amazônica.

A Apoena Agroindústria de Produtos da Amazônia, com sede no município de Tefé, distante 522 quilômetros de Manaus é uma grande produtora de farinha de mandioca, andiroba copaíba e óleos vegetais. A empresa já sente a desaceleração no setor.

O empresário Onésimo Maurillo explica que as atividades da empresa iniciaram em outubro de 2019 e já estavam preparados para grandes momentos no setor para 2020. Acreditando no melhor do empreendimento, foram investidos cerca de R$ 380 mil em instalações operacionais.

Produtor conta as dificuldades no setor produtivo

“Apesar de tudo, seguimos firmes, fazendo o dever de casa na formação da cadeia de fornecimento, recrutando colaboradores no Rio Japurá, Rio Juruá, Rio Coari Grande, Bauana e Igarapé Açu no Município de Tefé, também localidades no Município de Uarini. Nossos produtos são farinha de mandioca com meta/ano de 30 toneladas; a andiroba com meta de 20 toneladas e a copaíba com 5 toneladas”, enfatizou.

Dificuldades

Com a crise atual vieram as dificuldades e entre elas o valor do produto natural. Os extrativistas estão cobrando 40% a mais do que os clientes finais estão dispostos a pagar. Um dos produtos é a copaíba.

“Os produtores querem R$ 70 sendo que o valor da renda é R$ 48. A farinha que era R$ 2,5 está R$ 5 e os contratos eram de R$4 por quilo. Apesar do trânsito de carga estar liberado, os barcos que faziam linha Japurá para Tefé suspenderam suas atividades. Os barcos que restam são apenas dois que fazem linha direto para Manau”, explicou Onésimo.

O capital é a necessidade neste momento. O dinheiro permite com que a empresa subsista em tempos difíceis. “No momento, estamos precisando de capital. É a solução mais prática é abrir participação. Pois é fácil supor que passada a crise os nossos produtos serão altamente procurado”.

Superação

O produtor explica que em meio à crise há movimentação em busca de soluções. Entre elas a produção da andiroba é uma das saídas estudadas.

“Estamos vendo uma maneira de superar a crise, vamos abrir entrepostos locais, onde seriam coletadas principalmente a andiroba (que é altamente perecível) e processar ela no local. Transformando ela em farinha de andiroba torrada. Que pode dar suportar uns oito meses ou até passar a crise”, enfatiza.

Outra media é a utilização de recursos governamentais como o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) emergencial da Covid-19 que traz a opção de financiamento de R$2,5  a R$ 100mil para custeio e investimento.

“Ainda há algumas dúvidas para acesso ao crédito. Ouvi o superintendente do Banco da Amazônia (BASA) que informou que só tinha dois municípios no Amazonas que apresentaram o decreto de emergência ou calamidade. Apesar das dificuldades estamos muito esperançosos a respeito da atual situação nos trazer oportunidades valiosas com certo grau de risco, mais alto grau de sucesso também. Estamos selecionando recursos humanos, pois sabemos que o diferencial está na cadeia extrativista. Contamos com um grupo de parceiro de Apoio do município de Tefé, o Centro de Biotecnologia da Amazônia na pessoa da Dra. Catherine e o Sebrae na pessoa da Dra. Wanda consultora na linha dos Recursos não Madeireiro na Apoena”, aponta.

O empresário conta que a ajuda de muitos parceiros em momentos de crise é o diferencial do negócio. Ele afirma também que o grupo de trabalho é bastante coeso e traz segurança. Nenhum colaborador será dispensado e já existem estimativa para os próximos quatro meses.

Texto: Bruna Oliveira     Fotos: Reprodução 

Post Author: Bruna Oliveira

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