Roteiro Baku a Belém estrutura caminho para mobilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático até 2035

Documento apresentado pela presidência brasileira da COP30 reúne propostas e instrumentos para ampliar o fluxo de recursos destinados aos países em desenvolvimento. Entre as ferramentas está a Bússola de Ação para Financiamento Climático, voltada à identificação de oportunidades e à superação de obstáculos para investimentos.

Apresentado em 8 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia, o relatório Implementando o Mapa do Caminho de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão detalha medidas financeiras e intervenções de políticas públicas que poderiam elevar os recursos destinados aos países em desenvolvimento para uma faixa entre US$ 1,27 trilhão e US$ 1,41 trilhão por ano até 2035.

A projeção considera a participação de governos, instituições financeiras multilaterais, investidores privados e outros agentes econômicos.

O documento também apresenta um alerta: se forem mantidas as tendências atuais, o financiamento climático internacional deverá alcançar apenas entre US$ 458 bilhões e US$ 461 bilhões anuais em 2035. A diferença evidencia a necessidade de mudanças nas políticas de financiamento e nos mecanismos de distribuição dos recursos.

Seis fontes para ampliar os recursos

O relatório identifica seis fontes de financiamento que, combinadas, podem contribuir para alcançar a meta internacional:

  1. Financiamento concessional: ampliação de empréstimos com condições facilitadas e recursos a custos reduzidos.

  2. Investimentos privados: atração de capital empresarial para projetos de energia limpa, infraestrutura e adaptação climática.

  3. Cooperação Sul-Sul: fortalecimento da colaboração financeira e técnica entre países em desenvolvimento.

  4. Direitos Especiais de Saque: utilização de mecanismos ligados às reservas internacionais administradas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

  5. Mecanismos inovadores: desenvolvimento de instrumentos financeiros capazes de ampliar as fontes de recursos.

  6. Mercados de carbono: utilização de mecanismos de negociação de créditos de carbono para apoiar iniciativas de redução de emissões.

A proposta busca diversificar as fontes de financiamento e diminuir a dependência de recursos públicos tradicionais, sem deixar de reconhecer a importância do apoio financeiro internacional.

Bússola de Ação vai acompanhar resultados

Entre as novidades está a Bússola de Ação para o Financiamento Climático (Climate Finance Action Compass), ferramenta desenvolvida com apoio da Climate Policy Initiative (CPI).

O instrumento foi estruturado para acompanhar a evolução do financiamento climático internacional a partir de quatro dimensões:

  • Escala: verifica o volume de recursos mobilizados.

  • Velocidade: acompanha o ritmo de crescimento dos investimentos.

  • Alcance: observa se os recursos chegam aos países, setores e comunidades que mais precisam.

  • Impacto: avalia os resultados efetivos dos investimentos para o clima e o desenvolvimento.

A ferramenta pretende facilitar a identificação de gargalos e permitir que governos e instituições financeiras acompanhem onde os recursos estão avançando e quais áreas ainda precisam de intervenções.

O relatório também apresenta a chamada Estrutura de Implementação 5×5, elaborada em parceria com o Grupo Independente de Especialistas de Alto Nível sobre Financiamento Climático (IHLEG). O modelo conecta as cinco frentes de ação do roteiro original às principais prioridades de investimento climático.

COP30 Brasil+1

Os cinco caminhos para transformar compromissos em investimentos

O roteiro original de Baku a Belém, apresentado em novembro de 2025 pelas presidências da COP29 e da COP30, foi organizado em cinco frentes de atuação, conhecidas como os 5 Rs:

  • Recompor: ampliar doações e financiamentos concessionais.

  • Reequilibrar: melhorar as condições fiscais e a sustentabilidade das dívidas dos países em desenvolvimento.

  • Redirecionar: estimular investimentos privados para projetos climáticos.

  • Reestruturar: fortalecer instituições e mecanismos de coordenação.

  • Reconfigurar: promover mudanças no sistema financeiro internacional para tornar os fluxos de capital mais equilibrados.

O documento original reuniu mais de 75 medidas sugeridas para ampliar o financiamento climático. O relatório divulgado em 2026 avança na transformação dessas propostas em trajetórias de implementação e estimativas financeiras.

Desafio é garantir que o dinheiro chegue aos países que precisam

Além de mobilizar recursos, um dos principais desafios é garantir que o financiamento seja acessível às nações em desenvolvimento. Muitos desses países enfrentam dificuldades relacionadas ao endividamento, ao custo elevado do crédito e à falta de capacidade institucional para estruturar projetos de grande escala.

Nesse cenário, o roteiro defende reformas financeiras, fortalecimento dos bancos de desenvolvimento e maior coordenação entre governos, investidores e organismos multilaterais.

O relatório também reforça a importância de conectar os investimentos às prioridades nacionais, como os planos de adaptação climática e as metas de redução de emissões apresentadas pelos países no âmbito do Acordo de Paris.

A presidência brasileira ressalta que alcançar US$ 1,3 trilhão anuais não depende apenas da criação de novas fontes de dinheiro, mas também de mudanças na maneira como os recursos existentes são distribuídos e utilizados.

De Belém a Antália: financiamento entra na agenda de implementação

A apresentação do relatório na COP31 representa a continuidade de uma agenda iniciada na conferência de Belém, em 2025. Na ocasião, os países decidiram avançar na ampliação do financiamento climático para pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, considerando fontes públicas e privadas.

Agora, a presidência brasileira busca demonstrar como essa meta poderá ser alcançada por meio de políticas públicas, reformas financeiras e investimentos coordenados.

O documento é uma contribuição voluntária e não prescritiva da presidência da COP30, e não um novo acordo negociado entre os países. Sua efetivação depende da participação dos governos, das instituições financeiras e do setor privado.

A expectativa é que a COP31 funcione como espaço para ampliar o compromisso internacional com a implementação do roteiro e fortalecer mecanismos de acompanhamento dos resultados.

Mais do que estabelecer um valor financeiro, o desafio colocado pelo Mapa do Caminho de Baku a Belém é transformar a promessa de financiamento climático em recursos efetivamente disponíveis para proteger populações, adaptar economias e acelerar a transição para um modelo de desenvolvimento de baixa emissão de carbono.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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