Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque abriga uma das maiores áreas contínuas de floresta protegida do planeta

Com quase 3,9 milhões de hectares, unidade de conservação no Amapá e no Pará reúne rios, serras, formações rochosas e ecossistemas fundamentais para a biodiversidade amazônica.

No extremo norte do Brasil, uma extensa área de floresta amazônica preserva paisagens formadas por rios de grande extensão, vegetação densa e elevações rochosas. É o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, unidade de conservação que se estende pelos estados do Amapá e do Pará e protege uma parcela expressiva dos ecossistemas do Planalto das Guianas.

Criado em 22 de agosto de 2002, o parque possui aproximadamente 3,86 milhões de hectares, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A maior parte de seu território está no Amapá, enquanto uma pequena porção alcança o município de Almeirim, no Pará.

Uma área de floresta que atravessa dois estados

O Tumucumaque está entre as maiores unidades de conservação de floresta tropical do mundo. Sua extensão abrange principalmente os municípios amapaenses de Laranjal do Jari, Oiapoque, Calçoene, Serra do Navio e Pedra Branca do Amapari.

A área também faz fronteira com o Suriname e a Guiana Francesa, o que amplia sua importância ambiental na região das Guianas. A localização contribui para a proteção de áreas de floresta que ultrapassam os limites territoriais brasileiros e integram uma paisagem amazônica de grande continuidade ecológica.

Florestas densas e serras formam a paisagem

A vegetação predominante é a Floresta Ombrófila Densa, caracterizada por árvores de grande porte e cobertura vegetal fechada. O relevo combina áreas de planície com formações do Planalto das Guianas, incluindo serras e afloramentos rochosos que se destacam em meio à floresta.

Essas formações criam ambientes distintos dentro da unidade de conservação, com condições próprias de vegetação e abrigo para espécies da fauna e da flora. Entre os elementos que caracterizam a paisagem estão os chamados inselbergs: blocos ou elevações rochosas isoladas que se erguem acima do terreno ao redor.

Rios e nascentes têm papel importante na região

O parque também protege áreas de cabeceiras e trechos de importantes sistemas hidrográficos do norte amazônico. Entre os rios associados à região estão o Jari, o Oiapoque, o Araguari e o Amapari.

Esses cursos d’água integram bacias fundamentais para a dinâmica ambiental do Amapá e ajudam a sustentar os ecossistemas florestais e aquáticos. O rio Jari também tem importância geográfica por acompanhar parte do limite entre Amapá e Pará na região do parque.

Conservação e pesquisa científica

Como parque nacional, o Tumucumaque integra o grupo de unidades de conservação de proteção integral. A categoria tem como objetivo preservar ecossistemas naturais e permitir atividades como pesquisa científica, educação ambiental, recreação em contato com a natureza e turismo ecológico, conforme as regras de gestão da unidade.

A dimensão do território e o acesso limitado a algumas áreas tornam o parque relevante para estudos sobre biodiversidade, ecologia e conservação de florestas tropicais. A proteção de seus ambientes também contribui para resguardar nascentes, rios e habitats de espécies amazônicas.

O desafio é manter a integridade de uma área extensa e de difícil fiscalização diante de ameaças como garimpo ilegal, caça e exploração irregular de recursos naturais, apontadas em levantamentos sobre a unidade.

Com suas florestas, rios e formações rochosas, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque representa um dos principais patrimônios naturais do extremo norte brasileiro e uma área estratégica para a conservação da Amazônia.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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