Super El Niño deve intensificar temporais no Sul e agravar seca na Região Norte do Brasil

Fenômeno climático pode provocar chuvas acumuladas de até 500 milímetros em áreas do Sul nos próximos 30 a 45 dias, enquanto estados da Amazônia enfrentam redução das precipitações, calor intenso e níveis baixos dos rios.

O avanço do chamado Super El Niño coloca o Brasil diante de cenários climáticos distintos nas próximas semanas. Enquanto áreas do Centro-Sul devem enfrentar temporais frequentes, chuvas volumosas e risco de enchentes, a Região Norte poderá registrar agravamento da estiagem, temperaturas elevadas e dificuldades para a navegação fluvial.

O fenômeno é resultado do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica e interfere nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

Segundo o boletim divulgado em 29 de outubro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e outras instituições federais, existe elevada probabilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte a partir de novembro.

As projeções para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027 indicam maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste. Em contrapartida, grande parte do Norte e áreas do Nordeste devem apresentar precipitações abaixo dos padrões climatológicos.

Sul concentra risco de temporais e enchentes

A Região Sul aparece entre as áreas mais vulneráveis ao excesso de precipitação. As projeções meteorológicas indicam volumes de chuva entre 300 e 500 milímetros nos próximos 30 a 45 dias em regiões do oeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e noroeste do Rio Grande do Sul.

O cenário aumenta a preocupação com a elevação dos níveis dos rios Uruguai, Paraná e Iguaçu, que podem registrar novas cheias e inundações.

Além do volume elevado de água, a frequência de tempestades pode provocar vendavais, queda de granizo e alagamentos em áreas urbanas e rurais.

Mato Grosso do Sul e partes de São Paulo também apresentam tendência de precipitação acima da média. Em Minas Gerais, as projeções indicam possibilidade de volumes superiores aos inicialmente estimados por alguns modelos meteorológicos.

Amazônia enfrenta agravamento da estiagem

Na Região Norte, os efeitos esperados são diferentes. A redução das chuvas, combinada com temperaturas acima da média, tende a acelerar a evaporação e agravar a situação dos rios.

O cenário exige atenção especial no leste do Amazonas, em Roraima, Pará, Acre e Rondônia, onde as previsões apontam déficit de precipitação.

A diminuição dos níveis dos rios pode comprometer o transporte de mercadorias, o deslocamento de moradores e o abastecimento de comunidades ribeirinhas que dependem diretamente das vias fluviais.

No Amazonas, a situação merece atenção porque a navegação é fundamental para conectar municípios e comunidades isoladas. Períodos prolongados de estiagem podem dificultar o transporte de alimentos, combustíveis, medicamentos e outros produtos essenciais.

Entretanto, os efeitos não devem ser uniformes em todo o estado. As projeções meteorológicas indicam possibilidade de aumento gradual das chuvas em áreas do oeste amazonense, enquanto o leste permanece entre as regiões que exigem maior atenção.

Calor pode ampliar os impactos do fenômeno

Outro fator preocupante é a elevação das temperaturas. O prognóstico conjunto do Inpe, Inmet e Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos aponta temperaturas entre 1°C e 2°C acima da média em grande parte do território nacional no trimestre de novembro a janeiro.

Em determinadas áreas do Pará, as anomalias podem alcançar entre 2°C e 3°C.

O calor intensifica a perda de umidade do solo e aumenta a evaporação, agravando os efeitos da falta de chuva sobre rios, reservatórios, vegetação e atividades agropecuárias.

No Centro-Norte, a combinação de estiagem e temperaturas elevadas também aumenta a preocupação com incêndios florestais e queimadas.

Fenômeno pode persistir até 2027

O monitoramento climático indica que o El Niño poderá permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. A intensidade do episódio e seus efeitos dependerão da evolução das condições oceânicas e atmosféricas.

O fenômeno não significa que todas as áreas de uma mesma região terão o mesmo comportamento climático. As previsões representam tendências sazonais, e a ocorrência de temporais, enchentes ou períodos de estiagem depende também de fatores meteorológicos locais.

As instituições responsáveis pelo monitoramento recomendam acompanhar os boletins oficiais e os alertas da Defesa Civil, especialmente em municípios sujeitos a inundações, deslizamentos, incêndios e isolamento provocado pela baixa dos rios.

O cenário previsto reforça a necessidade de preparação para dois extremos simultâneos: excesso de chuva em partes do Centro-Sul e agravamento da seca em áreas do Norte e Nordeste.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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