País reforça vigilância nas fronteiras e impõe quarentena de 21 dias a cidadãos que retornam da República Democrática do Congo; caso confirmado na Nigéria mobiliza autoridades sanitárias internacionais
O Uganda intensificou as medidas de controle sanitário e as restrições de circulação em meio à preocupação com a disseminação do vírus Ebola na África. As medidas foram anunciadas após a confirmação de um caso na Nigéria, envolvendo uma mulher que havia viajado ao território ugandense antes de apresentar sintomas e receber diagnóstico da doença. A paciente foi transferida para a Suíça em uma operação de evacuação médica na segunda-feira (26).
A mulher, cidadã suíça e esposa de um diplomata que trabalha em Abuja, capital nigeriana, foi encaminhada a um hospital em Genebra para tratamento especializado. Seu marido também viajou para a Suíça e permaneceu sob acompanhamento médico, embora não apresentasse sintomas.
A situação levou as autoridades ugandenses a ampliar a fiscalização nas fronteiras, reforçar a triagem de passageiros e estabelecer medidas específicas para viajantes que possam ter sido expostos ao vírus. O objetivo é evitar novos casos e impedir que a doença volte a se disseminar no país, que havia anunciado o fim de seu surto anterior em agosto.
Quarentena e restrições nas fronteiras
Entre as principais medidas adotadas pelo Uganda está a exigência de quarentena de 21 dias para cidadãos ugandenses que retornam da República Democrática do Congo (RDC), onde a transmissão do Ebola permanece ativa. O período corresponde ao intervalo máximo de incubação geralmente considerado para a doença.
O governo também restringiu a entrada de viajantes congoleses considerados não essenciais e proibiu o trânsito pelo território ugandense de pessoas que tenham histórico de viagem à RDC, inclusive em voos fretados. Trabalhadores humanitários e motoristas de caminhão podem entrar sob condições específicas e devem cumprir os protocolos sanitários.
Nos aeroportos e nas passagens terrestres, as autoridades ampliaram a verificação de sintomas, a coleta de informações sobre deslocamentos e o monitoramento de passageiros. Pessoas identificadas como contatos de casos confirmados podem ficar sujeitas a acompanhamento por 21 dias e, conforme a avaliação de risco, a isolamento ou quarentena institucional.
As medidas foram justificadas pela proximidade geográfica com a RDC e pela intensa circulação de pessoas entre os países, motivada por comércio, trabalho e vínculos familiares.
Caso na Nigéria levanta dúvidas sobre origem da infecção
A paciente foi diagnosticada com Ebola em 20 de outubro, depois de retornar de uma viagem ao Uganda. As autoridades sanitárias ainda investigam onde ocorreu a exposição ao vírus e quais foram as circunstâncias da infecção.
Segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a paciente desenvolveu sintomas em 7 de outubro, procurou atendimento médico quatro dias depois e recebeu confirmação laboratorial em 20 de outubro.
A evacuação para a Suíça ocorreu após a estabilização clínica da mulher na Nigéria. Apesar da melhora, autoridades sanitárias alertaram que a condição estável não significa ausência de risco de transmissão, razão pela qual os protocolos de isolamento e acompanhamento continuam necessários.
O caso também chamou a atenção porque a paciente havia passado pelo aeroporto internacional de Entebbe, no Uganda, em 3 de outubro. Investigações epidemiológicas procuram esclarecer se existe alguma relação entre esse episódio e outros casos identificados na região.
Surto na República Democrática do Congo preocupa autoridades
O cenário regional é agravado por um surto de Ebola causado pelo vírus da espécie Bundibugyo, identificado na República Democrática do Congo em maio de 2026. O país concentra a maior parte dos casos e das mortes registrados nesta emergência sanitária.
Dados divulgados em outubro apontavam mais de 10 mil casos confirmados e milhares de mortes na RDC. Também foram registrados casos no Quênia e na Nigéria, ampliando a preocupação com a circulação internacional do vírus.
O acompanhamento de contatos, a identificação precoce de pessoas infectadas e a capacidade de atendimento hospitalar estão entre as principais medidas para limitar a transmissão. A OMS destaca a importância da cooperação entre países, sobretudo em regiões com fronteiras terrestres movimentadas. <Cite refs={[“turn899391search17″,”turn899391search19”]}/>
Organização Mundial da Saúde recomenda vigilância, não isolamento internacional
Embora os governos estejam ampliando os controles sanitários, a OMS recomenda que não sejam impostas restrições gerais de viagens ou comércio aos países afetados. A orientação prioriza medidas proporcionais ao risco, vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos e preparação dos serviços de saúde.
O Ebola pode provocar febre, fraqueza intensa, dores musculares e, em casos graves, hemorragias e falência de órgãos. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou com materiais contaminados.
A identificação rápida de casos e o acompanhamento das pessoas expostas são considerados fundamentais para conter surtos. O período de monitoramento de 21 dias é utilizado porque corresponde ao limite superior habitual da incubação da doença.
Situação permanece sob investigação
O Uganda afirma que as medidas preventivas são necessárias mesmo após o encerramento do surto registrado anteriormente no país. As autoridades continuam verificando os deslocamentos da paciente e seus possíveis contatos durante a passagem pelo território ugandense.
Até a atualização das informações, não havia confirmação de que o caso identificado na Nigéria tivesse provocado uma nova cadeia de transmissão dentro do Uganda. A origem da infecção e a eventual ligação com outros casos permaneciam sob investigação.
A evolução do surto dependerá da capacidade das autoridades de localizar contatos, identificar rapidamente novos casos e coordenar a resposta sanitária entre os países envolvidos.
Fontes: Euronews

