O Rio Grande do Sul é o 3º maior produtor de leite do Brasil, gerando cerca de 4,2 bilhões de litros em média. Os municípios com maior destaque na produção são Santo Cristo e Augusto Pestana.
O produtor de leite brasileiro enfrenta uma combinação difícil: remuneração pressionada, custos de alimentação elevados e concorrência crescente dos produtos importados.
O déficit da balança comercial de lácteos chegou a US$ 834 milhões no período informado pela matéria, evidenciando o desequilíbrio entre importações e exportações. Para quem produz, essa situação se soma à dificuldade de manter margens capazes de remunerar o trabalho, os investimentos e os riscos da atividade.
O problema ganha outra dimensão quando se observa a atuação do governo federal.
A Camex reconheceu a prática de dumping nas exportações de leite em pó da Argentina e do Uruguai e aprovou direitos antidumping definitivos, mas suspendeu sua cobrança sob a justificativa de interesse público. Na prática, mesmo após a investigação reconhecer a prática comercial desleal, a medida de proteção não passou a produzir o efeito esperado sobre essas importações.
A decisão levanta uma questão legítima: como proteger a competitividade da produção nacional se as medidas aprovadas para enfrentar a concorrência desleal permanecem sem cobrança?
O setor precisa discutir como fortalecer a produção nacional e criar condições para que o produtor permaneça na atividade com rentabilidade.
Eficiência produtiva e controle de custos são fundamentais, mas não resolvem sozinhos os problemas de competitividade de toda a cadeia.
É necessário, e muito, além de discutir sanidade, produtividade e gestão, também discutir política agrícola, relações comerciais, atuação da indústria e medidas de defesa comercial.
Quando as margens permanecem pressionadas por muito tempo, o resultado pode ser a redução dos investimentos e a saída de produtores, comprometendo a própria capacidade de produção do país.
Fonte principal: web rural.discourse
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