Soja consolida patamar acima de US$ 13 em Chicago com petróleo e compras da China

Valorização do petróleo, retomada das aquisições chinesas nos Estados Unidos e redução da oferta disponível no Brasil sustentam um dos momentos mais fortes do mercado internacional da oleaginosa

O mercado internacional de grãos atravessa um período de forte valorização, com a soja consolidando cotações acima de US$ 13 por bushel na Bolsa de Chicago (CBOT). A combinação entre a disparada do petróleo, o aumento das compras chinesas nos Estados Unidos e uma oferta mais restrita no mercado internacional colocou a oleaginosa novamente entre as commodities de maior destaque.

Na quinta-feira (10), o contrato novembro, uma das principais referências do mercado, encerrou o pregão cotado a US$ 13,3225 por bushel, após avanço de 22,75 pontos, ou 1,74%. Janeiro de 2027 terminou a US$ 13,4725, alta de 1,66%. O movimento deu continuidade à recuperação observada desde o fim de agosto e reforçou a sustentação dos preços acima dos US$ 13.

Um dos principais combustíveis dessa valorização veio, literalmente, do petróleo. A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio levou as cotações da commodity novamente à região de US$ 100 por barril, fortalecendo também os mercados agrícolas.

A relação ocorre principalmente por meio dos biocombustíveis. Com o petróleo mais caro, cresce a atratividade econômica de combustíveis alternativos, favorecendo derivados como o óleo de soja, matéria-prima utilizada na produção de biodiesel e diesel renovável. A valorização do óleo tende a oferecer sustentação adicional ao grão.

China volta às compras

Outro fator decisivo está do lado da demanda. A China intensificou as compras de soja americana às vésperas da esperada visita do presidente Xi Jinping a Washington, prevista para setembro.

Somente nesta semana, compradores chineses adquiriram aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos, segundo informações do mercado. Entre os compradores estariam as estatais Sinograin e COFCO. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também confirmou recentemente uma venda de 340 mil toneladas de soja americana para a China.

O movimento ganha peso porque Pequim é o maior importador mundial da oleaginosa e suas decisões de compra têm capacidade para alterar rapidamente a dinâmica das cotações internacionais. A aproximação diplomática entre China e Estados Unidos também alimenta expectativas sobre possíveis avanços nas relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

As compras ocorrem ainda em um momento de menor disponibilidade brasileira. Depois de meses de exportações elevadas e de forte processamento doméstico, os estoques disponíveis no Brasil diminuíram, fazendo com que compradores chineses voltem sua atenção para a safra norte-americana.

Oferta e clima também entram no radar

O petróleo e a China, entretanto, não explicam sozinhos a valorização. O mercado acompanha as condições das lavouras dos Estados Unidos na reta final da safra 2026/27. O clima seco e quente em áreas importantes do Meio-Oeste americano trouxe dúvidas sobre o potencial produtivo e o peso final dos grãos.

Com isso, os investidores passaram a acompanhar ainda mais atentamente as projeções do USDA para produção, produtividade e estoques americanos. Qualquer redução nas estimativas de oferta pode acrescentar pressão altista às cotações.

A soma desses fatores — demanda chinesa, incertezas sobre a safra americana, menor disponibilidade brasileira e valorização dos derivados — ajudou a levar a soja para um novo patamar. No início de setembro, o contrato novembro já havia superado os US$ 13 por bushel, depois de encerrar agosto abaixo desse nível.

Reflexos para o produtor brasileiro

A valorização em Chicago também melhora o ambiente de preços no Brasil. As cotações domésticas são formadas por uma combinação que inclui Bolsa de Chicago, câmbio e prêmios pagos nos portos. Portanto, uma CBOT mais forte tende a abrir oportunidades de comercialização, embora o resultado final recebido pelo produtor dependa também do comportamento do dólar e dos prêmios de exportação.

No mercado brasileiro, a menor disponibilidade da safra velha também tem sustentado os preços. Com estoques mais curtos e prêmios firmes, algumas regiões registraram nas últimas sessões os melhores valores dos últimos anos.

O cenário, porém, continua marcado por elevada volatilidade. Uma redução das tensões geopolíticas pode retirar parte do prêmio incorporado ao petróleo e às commodities, enquanto mudanças nas compras chinesas ou nas estimativas da safra americana podem alterar rapidamente o comportamento da soja em Chicago.

Por enquanto, a oleaginosa permanece sustentada acima dos US$ 13 por bushel, nível que se tornou uma referência importante para o mercado e que amplia as oportunidades de comercialização também para o produtor brasileiro.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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