Aviação do Exército completa 40 anos de recriação com frota de 96 aeronaves e novas tecnologias
Estrutura retomada em 1986 tornou-se estratégica para mobilidade de tropas, operações de combate, resgate e apoio logístico; AvEx mantém presença no Amazonas e avança na incorporação de drones
A Aviação do Exército Brasileiro (AvEx) completou 40 anos de sua recriação consolidada como uma das capacidades estratégicas da Força Terrestre. A data foi celebrada na sexta-feira (4), em Taubaté (SP), com cerimônia militar, entrega de condecorações e desfiles terrestre e aéreo.
Recriada em 3 de setembro de 1986, a Aviação do Exército retomou uma capacidade que havia deixado de integrar a Força Terrestre em 1941, quando a antiga Aviação Militar foi extinta no processo que deu origem à Força Aérea Brasileira (FAB).
Quatro décadas depois, a AvEx possui 96 aeronaves e está presente em diferentes regiões do país, incluindo o Amazonas, onde a capacidade de deslocamento aéreo assume importância particular diante das grandes distâncias, da extensa faixa de fronteira e das limitações de acesso terrestre.
A solenidade comemorativa foi realizada no hangar do Centro de Instrução de Aviação do Exército (CiAvEx) e presidida pelo comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva.
Durante a cerimônia, também foi entregue a Medalha Mérito Aviação do Exército, destinada ao reconhecimento de militares aeronavegantes que se destacaram pelos serviços prestados à AvEx.
De 1986 à frota atual
A recriação da Aviação do Exército teve como objetivo devolver à Força Terrestre capacidade própria de aeromobilidade.
A utilização de helicópteros passou a permitir deslocamentos rápidos de tropas, equipamentos e suprimentos, além do emprego das aeronaves em missões de combate, reconhecimento, resgate e apoio logístico.
Atualmente, a AvEx opera os helicópteros HA-1A Fennec AvEx, HM-1A Pantera, HM-3 Cougar, HM-4 Jaguar e HM-2 Black Hawk, incluindo a versão mais recente HM-2A.
Das 96 aeronaves que integram a estrutura, 51 estão sediadas em Taubaté, principal polo da Aviação do Exército.
A AvEx também mantém estruturas no Amazonas, em Belém (PA) e no Sul do país, ampliando a capacidade de emprego aéreo em regiões estratégicas do território brasileiro.
Drones entram na nova fase da Aviação do Exército
A modernização não está limitada aos helicópteros.
Em Taubaté funciona também a Esquadrilha de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), responsável pela operação do Nauru 1000C, sistema aéreo não tripulado incorporado às capacidades da Aviação do Exército.
Os drones ampliam as possibilidades de reconhecimento, vigilância e obtenção de informações sem a necessidade de manter uma tripulação a bordo da aeronave.
A tecnologia representa uma transformação importante na atividade militar contemporânea. Sistemas remotamente pilotados vêm assumindo funções crescentes nos campos de inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos.
A incorporação desses equipamentos coloca a AvEx diante de uma nova etapa de modernização, combinando sua tradicional frota de asas rotativas com plataformas não tripuladas.
Amazônia marcou o batismo de fogo da AvEx
A região amazônica possui um lugar particular na história dos 40 anos da Aviação do Exército.
Em 1991, apenas cinco anos após a recriação, ocorreu o chamado batismo de fogo da AvEx durante a Operação Traíra, na região de fronteira entre Brasil e Colômbia.
Na ocasião, foram empregados helicópteros HA-1 Esquilo e HM-1 Pantera em uma operação militar real.
A ação ocorreu após um ataque contra um destacamento brasileiro situado às margens do rio Traíra, próximo à fronteira colombiana.
O episódio demonstrou a importância da capacidade aérea em uma região onde deslocamentos por terra podem ser extremamente limitados e onde rios, floresta densa e grandes distâncias condicionam a movimentação das tropas.
Dois anos depois, em 1993, a Operação Surumu ampliou a experiência operacional da Aviação do Exército e demonstrou novamente a importância da aeromobilidade para a concentração estratégica de militares.
A operação também ficou marcada pelo primeiro emprego de GPS em uma operação do Exército Brasileiro.
Capacidade aérea é estratégica para a Amazônia
As características geográficas da Amazônia tornam a aviação particularmente relevante para operações militares.
A região reúne milhares de quilômetros de fronteira internacional, baixa densidade populacional em grandes extensões e áreas nas quais o acesso terrestre é inexistente ou limitado.
Nessas condições, helicópteros permitem transportar militares e suprimentos para localidades isoladas e apoiar unidades posicionadas em regiões de fronteira.
A capacidade também pode ser empregada em missões de busca e salvamento, evacuação, transporte logístico e outras operações realizadas pela Força Terrestre.
É nesse contexto que se insere a presença permanente da Aviação do Exército no Amazonas.
A estrutura contribui para ampliar o alcance operacional do Exército em uma área considerada estratégica para a defesa territorial brasileira.
Experiência internacional ajudou na modernização
A evolução da AvEx também passou por operações fora do território nacional.
Em 1997, militares brasileiros participaram da Missão de Observadores Militares Equador-Peru (MOMEP), criada no contexto do processo de paz entre os dois países.
A experiência operacional contribuiu posteriormente para a incorporação dos helicópteros UH-60L Black Hawk à frota brasileira.
A missão também esteve associada ao pioneirismo no emprego de Óculos de Visão Noturna (OVN), tecnologia que ampliou a capacidade de realização de operações aéreas durante a noite.
Desde então, novos equipamentos e processos de modernização foram incorporados à estrutura.
Uma história que começou antes de 1986
Embora esteja comemorando quatro décadas de sua recriação, a história da aviação ligada ao Exército Brasileiro é muito mais antiga.
A Aviação Militar foi criada em 1919 e posteriormente oficializada como a 5ª Arma do Exército pela Lei nº 5.168, de 13 de janeiro de 1927.
Entre os pioneiros está o tenente Juventino Fernandes da Fonseca, reconhecido como o primeiro aeronauta militar brasileiro e participante da criação do Parque de Aerostação do Exército, em 1908.
Outro nome central dessa trajetória é o capitão Ricardo João Kirk, considerado Patrono da Aviação do Exército.
Em 1941, a Aviação Militar foi extinta no contexto da criação da Força Aérea Brasileira. O Exército permaneceria durante décadas sem uma aviação própria até a decisão de reconstruir essa capacidade em 1986.
40 anos celebrados em Taubaté
As comemorações pelo aniversário incluíram ainda o Sábado Aéreo 2026, realizado em 29 de agosto no Comando de Aviação do Exército, em Taubaté.
Segundo o Exército, aproximadamente 65 mil pessoas acompanharam a programação, que teve apresentações aéreas, exposição de aeronaves, viaturas e blindados, demonstrações e outras atividades abertas ao público.
Agora, ao completar 40 anos de sua recriação, a Aviação do Exército entra em uma fase na qual a modernização da frota tradicional ocorre paralelamente à incorporação de novas tecnologias.
Dos helicópteros empregados nas primeiras operações na Amazônia aos atuais sistemas remotamente pilotados, a evolução da AvEx reflete uma transformação mais ampla na maneira como a Força Terrestre utiliza o espaço aéreo para aumentar mobilidade, alcance e capacidade operacional.
Em uma região como a Amazônia, onde a geografia impõe obstáculos singulares ao deslocamento terrestre, essa capacidade permanece particularmente estratégica para a presença e a atuação do Exército Brasileiro.
Fonte: Exército Brasileiro.

