Embrapa atualiza orientações para cultivo de abacaxi no Amazonas

Nova publicação reúne recomendações técnicas do plantio à comercialização e destaca potencial de variedades tradicionais cultivadas por agricultores familiares no estado

Produtores rurais e técnicos do Amazonas passam a contar com informações atualizadas para melhorar o cultivo do abacaxi nas condições específicas do estado. A Embrapa Amazônia Ocidental lançou a edição 2026 do Sistema de Produção de Abacaxi para o Estado do Amazonas, publicação que reúne orientações técnicas desde a implantação da lavoura até a colheita e comercialização da fruta.

O documento, disponível gratuitamente, possui 56 páginas e atualiza conhecimentos sobre uma cultura de importância econômica e social para a agricultura tropical brasileira. A publicação foi editada por Marcos Vinicius Bastos Garcia, Aristóteles Pires de Matos e Silvia Christina Domingues de Abreu.

Mais do que apresentar técnicas gerais de produção, o material considera características encontradas no Amazonas e busca oferecer informações que possam auxiliar agricultores, extensionistas e outros profissionais envolvidos na cadeia produtiva.

Da preparação do solo à colheita

A publicação reúne recomendações sobre solo e clima, correção da acidez, adubação, escolha de cultivares, implantação da lavoura, manejo da floração, controle de plantas daninhas, pragas e doenças, colheita, pós-colheita e comercialização.

Na parte dedicada ao sistema de cultivo, os pesquisadores abordam desde a escolha da área e o preparo do solo até época e densidade de plantio, manejo da floração, consorciação e rotação de culturas e aproveitamento dos restos culturais.

A nutrição das plantas também recebe atenção específica. O documento apresenta recomendações de correção da acidez do solo e de adubação, incluindo orientações para aplicação de fósforo, nitrogênio, potássio e micronutrientes.

Há ainda recomendações específicas de adubação para a cultivar Turiaçu Amazonas, em plantios não irrigados com densidades entre 30 mil e 40 mil plantas por hectare.

Controle de pragas e doenças

Outro ponto importante da atualização está no manejo fitossanitário.

A publicação apresenta informações sobre doenças e métodos de controle, incluindo murcha associada à cochonilha, podridão do olho e podridão-negra do fruto.

Entre as pragas abordadas estão a broca-do-fruto, o percevejo-do-abacaxizeiro e o ácaro-alaranjado. O material também trata de problemas provocados por fatores não biológicos, como queima solar e escurecimento interno, além de orientações gerais sobre produtos fitossanitários e normas para utilização de defensivos.

Reunir essas informações em um sistema de produção específico para o Amazonas permite adaptar o conhecimento técnico às condições enfrentadas pelos produtores locais, em vez de simplesmente transferir recomendações desenvolvidas para outras regiões produtoras do país.

Amazonas é centro de diversidade do abacaxi

A publicação também chama atenção para uma característica estratégica da região: o Amazonas é centro de origem e diversidade genética do abacaxi.

O estado abriga variedades tradicionais, também chamadas de crioulas, que continuam sendo mantidas e cultivadas em pequena escala por agricultores familiares. Segundo a Embrapa, esses materiais precisam ser mais estudados para que características agronômicas, qualidade dos frutos e potencial de mercado sejam melhor conhecidos.

Esse patrimônio genético pode representar uma oportunidade para diferenciar a produção amazonense.

Enquanto variedades amplamente comercializadas atendem mercados já consolidados, materiais tradicionais podem apresentar características próprias de sabor, aparência, resistência ou adaptação às condições ambientais da região. A avaliação científica dessas características é necessária para identificar quais materiais apresentam efetivamente potencial para expansão comercial.

Turiaçu Amazonas ganha espaço nas recomendações

Entre os materiais contemplados pela publicação está a cultivar Turiaçu Amazonas, para a qual são apresentadas recomendações específicas de manejo.

A incorporação dessas informações é relevante porque produtividade e qualidade do fruto dependem de uma combinação de fatores, como fertilidade do solo, densidade de plantio, manejo nutricional, controle de pragas e doenças e momento adequado para indução do florescimento e colheita.

Ao organizar essas recomendações em um único documento, a Embrapa busca facilitar a aplicação dos resultados da pesquisa no campo.

Pesquisa pode agregar valor à produção regional

Para a agricultura familiar amazonense, o desenvolvimento tecnológico da cadeia do abacaxi pode representar mais do que aumento de produtividade.

A identificação e valorização das variedades locais também abre espaço para estratégias de diferenciação e agregação de valor, desde que acompanhadas por pesquisa, assistência técnica, organização dos produtores e acesso ao mercado.

Nesse cenário, conservar variedades tradicionais deixa de ser apenas uma questão relacionada à diversidade genética. Esses materiais podem se transformar em ativos produtivos quando suas características são estudadas, documentadas e aproveitadas de forma economicamente viável.

A nova publicação da Embrapa reforça justamente essa conexão entre ciência e produção rural: utilizar conhecimento desenvolvido e adaptado às condições amazônicas para reduzir problemas no campo, melhorar a qualidade dos frutos e criar novas possibilidades para uma cadeia produtiva já presente na agricultura familiar do estado.

Fonte: Embrapa Amazônia Ocidental.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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