Evento será realizado nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Manaus, com debates sobre capital de risco, deep techs, propriedade intelectual, transferência de tecnologia e Indústria 4.0
Manaus será ponto de encontro de pesquisadores, empresários, startups e investidores nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, durante a 7ª Conferência Internacional sobre Processos Inovativos na Amazônia. Realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o evento coloca no centro do debate um dos principais desafios da região: transformar conhecimento científico em tecnologias, empreendimentos e soluções capazes de chegar ao mercado.
A programação será realizada no Auditório da Ciência, no Bosque da Ciência, em formato híbrido, com participação presencial em Manaus e transmissão simultânea para o Brasil e o exterior. A conferência é promovida pelo Arranjo AMOCI/MCTI em parceria institucional com o INPA e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti).
Em sua sétima edição, a conferência chega a mais de uma década de articulação entre Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), setor produtivo, startups e investidores da Amazônia Ocidental.
Ciência precisa chegar ao mercado
A Amazônia abriga instituições que acumulam décadas de pesquisa sobre biodiversidade, floresta, biotecnologia, recursos genéticos e sistemas produtivos tropicais. Transformar esse conhecimento em inovação aplicada, entretanto, depende de etapas que vão além da pesquisa científica.
É necessário proteger a propriedade intelectual, desenvolver tecnologias em escala adequada, encontrar empresas interessadas em licenciá-las, estruturar novos negócios e atrair recursos para financiar o processo de inovação.
No INPA, essa interface é conduzida pela Coordenação de Gestão da Inovação e Empreendedorismo (Cogie), que funciona como Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da instituição. Entre suas atribuições estão a proteção das invenções resultantes das pesquisas, o licenciamento e a transferência de tecnologias para o setor produtivo, além do apoio à criação de startups e empresas de base científico-tecnológica.
É justamente essa conexão entre laboratório, empreendedorismo e mercado que estará presente nas discussões da conferência.
Capital de risco e deep techs entram no debate
Entre os assuntos programados estão capital de risco e investimento na Amazônia, deep techs, propriedade intelectual, transferência de tecnologia, Indústria 4.0 e sustentabilidade.
As chamadas deep techs são empresas baseadas em conhecimento científico e tecnologias de alta complexidade. Diferentemente de negócios cuja inovação está concentrada principalmente no modelo comercial, elas normalmente surgem de avanços em áreas como biotecnologia, novos materiais, inteligência artificial, engenharia e outras tecnologias desenvolvidas a partir de pesquisa intensiva.
Na Amazônia, esse modelo ganha importância diante da possibilidade de utilizar o conhecimento científico sobre a biodiversidade para desenvolver novos produtos, processos e serviços sem limitar a economia regional à comercialização de matérias-primas.
A conferência também discutirá métodos de inovação adotados por grandes empresas e apresentará um panorama das ações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) na região.
Propriedade intelectual é estratégica
Outro eixo será a proteção do conhecimento produzido na Amazônia.
A programação prevê discussões sobre propriedade intelectual e o papel de instituições nacionais e internacionais na proteção dos ativos tecnológicos, incluindo debates relacionados ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).
A questão é particularmente relevante para uma região que reúne elevada diversidade biológica e conhecimentos associados ao uso de espécies amazônicas.
Patentes, registros e contratos de transferência tecnológica são instrumentos utilizados para estabelecer direitos sobre determinadas inovações e criar condições para que tecnologias desenvolvidas pelas instituições científicas possam ser licenciadas e utilizadas pelo setor produtivo.
Amazônia no centro da inovação
A programação também pretende discutir o papel da Amazônia no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e como ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico podem ser articulados na região.
Além das palestras, estão previstas mesas-redondas, painéis temáticos e apresentação de trabalhos científicos avaliados por pares. O evento terá ainda tradução simultânea e participação de representantes de universidades, instituições públicas, agências de fomento, fundos de investimento e empresas brasileiras e estrangeiras.
A conferência será aberta a pesquisadores, estudantes de pós-graduação, empreendedores, gestores públicos, investidores e ao público interessado.
Mais do que discutir novas tecnologias, o encontro coloca em evidência uma questão estratégica para o desenvolvimento regional: como aumentar a capacidade da Amazônia de transformar a ciência que produz em inovação, propriedade intelectual, empresas e geração de valor dentro da própria região.
Serviço
A 7ª Conferência Internacional sobre Processos Inovativos na Amazônia: Interfaces entre ICT, empresários e investidores será realizada nos dias 30 de setembro e 1º de outubro de 2026, no Auditório da Ciência, localizado no Bosque da Ciência do INPA, em Manaus. A programação será híbrida e as inscrições estão abertas.

