Diante da intensificação dos eventos climáticos extremos provocados pelo El Niño, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) lançou uma série de cartilhas técnicas para orientar gestores públicos e equipes de Defesa Civil na utilização de ferramentas de Inteligência Artificial voltadas ao monitoramento de desastres naturais.
O material reúne orientações para aplicação de tecnologias capazes de analisar grandes volumes de dados meteorológicos, hidrológicos e geográficos, permitindo antecipar cenários de risco e apoiar a tomada de decisões em situações de emergência.
Entre as aplicações previstas estão a previsão de alagamentos, identificação de áreas sujeitas a deslizamentos, monitoramento de enchentes e emissão de alertas mais rápidos para a população.
No setor agropecuário, a Inteligência Artificial também pode auxiliar na gestão dos riscos climáticos. Sistemas alimentados por dados meteorológicos e imagens de satélite permitem estimar períodos de estiagem, excesso de chuvas, risco de geadas e impactos sobre diferentes culturas agrícolas.
A iniciativa ganha relevância especialmente para estados da Região Sul, onde os efeitos do El Niño costumam provocar chuvas intensas e recorrentes, causando prejuízos à infraestrutura, às propriedades rurais e à produção agrícola.
Especialistas destacam que o uso dessas ferramentas não substitui o monitoramento realizado pelos órgãos oficiais de meteorologia, mas amplia a capacidade de planejamento das administrações municipais e fortalece as ações preventivas.
Com a expectativa de permanência do El Niño até 2027, cresce a necessidade de investimentos em tecnologia, sistemas de alerta precoce e planejamento territorial para reduzir os impactos econômicos, sociais e ambientais dos eventos climáticos extremos.
A adoção de soluções baseadas em Inteligência Artificial representa um avanço na gestão de riscos e pode contribuir para aumentar a resiliência dos municípios diante de um cenário de mudanças climáticas cada vez mais frequentes e intensas.

