Os mais recentes boletins do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Painel El Niño indicam que o fenômeno climático está consolidado em sua fase de forte intensidade e deve permanecer ativo até o início de 2027. As projeções apontam mais de 90% de probabilidade de continuidade do evento, cenário que pode configurar um dos episódios mais intensos das últimas décadas.
Segundo os modelos climáticos, o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial alcançou picos de até 3,1°C acima da média histórica. Essa alteração modifica a circulação atmosférica em escala global e influencia diretamente o regime de chuvas na América do Sul.
Para a Amazônia, o cenário inspira atenção. A tendência é de redução significativa das chuvas durante o segundo semestre, favorecendo a ocorrência de estiagens prolongadas, diminuição da umidade relativa do ar e aumento do risco de queimadas e incêndios florestais.
A diminuição das precipitações também pode provocar queda nos níveis dos rios amazônicos, dificultando o transporte fluvial, o abastecimento de comunidades ribeirinhas e a logística de escoamento da produção agrícola em diversos municípios da região Norte.
No Nordeste, a previsão também é de chuvas abaixo da média em grande parte da região, aumentando os desafios para a agricultura de sequeiro, a pecuária e o armazenamento de água em reservatórios.
Em contrapartida, o Sul e parte do Sudeste devem registrar um comportamento climático oposto. A combinação entre o El Niño e sistemas atmosféricos favorece a ocorrência de tempestades mais frequentes, frentes frias intensas, vendavais e volumes de chuva superiores à média climatológica.
Especialistas alertam que a alternância entre secas severas e eventos extremos de precipitação pode gerar impactos expressivos sobre a produção agropecuária, exigindo planejamento dos produtores e monitoramento constante das condições meteorológicas.
Para o agronegócio, o acompanhamento das previsões climáticas torna-se ferramenta estratégica na definição do calendário de plantio, da irrigação, da colheita e das medidas de prevenção a perdas. O fortalecimento dos sistemas de alerta também ganha importância diante da maior frequência de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno.

