A cooperação entre países tornou-se uma condição indispensável para enfrentar os desafios cada vez mais complexos relacionados à gestão da água, à segurança hídrica e às mudanças climáticas. A avaliação foi feita pelo diretor da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Leonardo Góes, durante a 13ª Cúpula Mundial da Rede Internacional de Organizações de Bacia (INBO), realizada no Rio de Janeiro.
O encontro reúne representantes de governos, organismos de bacias hidrográficas, instituições internacionais, pesquisadores e especialistas de diversos países para discutir estratégias de gestão integrada dos recursos hídricos, adaptação climática e fortalecimento da governança da água.
Durante a abertura do evento, Leonardo Góes destacou que os impactos das mudanças climáticas, a ocorrência de eventos extremos e o aumento da demanda por água exigem respostas articuladas em escala global.
“A cooperação internacional deixou de ser apenas desejável e passou a ser indispensável”, afirmou o diretor, ao defender o fortalecimento de redes de intercâmbio de conhecimento e experiências entre diferentes países e bacias hidrográficas.
Góes também ressaltou o protagonismo que o Brasil assumirá nos próximos dois anos à frente da Rede Internacional de Organizações de Bacia. Segundo ele, a presidência brasileira representa uma oportunidade para ampliar a cooperação técnica, fortalecer o diálogo internacional e colocar a agenda da água em posição estratégica nos debates sobre desenvolvimento sustentável, clima e qualidade de vida.
Além da participação na sessão de abertura, representantes da ANA contribuíram em painéis voltados à integração entre recursos hídricos e saneamento básico, governança hídrica em regiões metropolitanas e mecanismos de resposta a períodos de escassez. Entre os temas debatidos estiveram o monitoramento hidrológico, a gestão de riscos e os protocolos de enfrentamento das secas.
A programação também incluiu um workshop internacional sobre gestão de secas e alocação de recursos hídricos, que analisou as experiências brasileiras durante as crises hídricas registradas entre 2014 e 2016 nos sistemas Cantareira, em São Paulo, e Paraíba do Sul-Guandu, no Rio de Janeiro. O debate destacou os avanços alcançados pelo país na construção de mecanismos de governança, planejamento e resposta a situações de escassez.
Para especialistas reunidos na cúpula, a intensificação das mudanças climáticas torna cada vez mais urgente a construção de soluções cooperativas para garantir o acesso à água, fortalecer a resiliência dos territórios e assegurar o abastecimento das populações diante dos desafios ambientais do século XXI.

