Rio Negro se aproxima da cota de inundação em Manaus enquanto Amazonas já teme nova seca extrema no fim de 2026

O nível do Rio Negro em Manaus voltou a subir de forma acelerada em 2026 e já se aproxima da cota oficial de inundação, reacendendo o alerta para o período de cheia no Amazonas. Ao mesmo tempo, especialistas e órgãos de monitoramento climático já projetam um cenário preocupante para o segundo semestre do ano, com possibilidade de uma nova seca severa associada a um possível “super El Niño”.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a previsão é que o Rio Negro alcance cerca de 28,3 metros na capital amazonense, acima da cota de inundação, que é de 27,50 metros. A probabilidade de o rio ultrapassar essa marca é de 92%.

Atualmente, o nível do rio segue em ritmo de subida e já ultrapassou a cota de alerta em Manaus. Dados do Porto de Manaus mostram que a cheia deste ano apresenta recuperação significativa após os anos seguidos de estiagem extrema registrados no Amazonas.

A situação lembra os ciclos hidrológicos extremos vividos pelo estado nos últimos anos. Em 2021, Manaus registrou a maior cheia da história do Rio Negro, atingindo a marca recorde de 30,02 metros, provocando alagamentos em bairros inteiros, prejuízos econômicos e impactos em milhares de famílias ribeirinhas.

Já em 2023 e 2024, o Amazonas enfrentou o cenário oposto: secas históricas que deixaram rios em níveis críticos, afetando o abastecimento, a navegação, comunidades isoladas e a economia regional. Em 2023, o Rio Negro atingiu o menor nível em mais de 120 anos de monitoramento, chegando a 12,70 metros em Manaus.

Especialistas apontam que essas mudanças bruscas estão relacionadas às alterações climáticas globais e à influência dos fenômenos El Niño e La Niña sobre a Amazônia. Enquanto a La Niña favorece períodos mais chuvosos na região Norte, o El Niño costuma intensificar estiagens e ondas de calor.

A Defesa Civil do Amazonas já alertou para o risco de uma nova seca extrema no fim de 2026, associada à possibilidade de um “super El Niño”. O órgão afirma que o cenário pode repetir ou até superar os impactos observados em 2023 e 2024.

De acordo com o alerta, os municípios do Alto e Médio Rio Negro estão entre as áreas que exigem maior atenção, devido aos riscos para transporte fluvial, abastecimento de alimentos, acesso a medicamentos e fornecimento de água. A Defesa Civil informou ainda que medidas preventivas já começaram a ser discutidas para reduzir os impactos nas comunidades mais vulneráveis.

Pesquisas climáticas também apontam que o próximo evento de El Niño poderá prolongar o período seco na Amazônia de quatro para até seis meses, aumentando o déficit hídrico e favorecendo queimadas e incêndios florestais.

Apesar da preocupação com a futura estiagem, especialistas afirmam que a cheia de 2026 ainda está dentro da faixa considerada normal para a bacia amazônica, embora acima da média registrada nos últimos anos de seca.

O cenário reforça o desafio enfrentado pela Amazônia diante dos eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, alternando entre enchentes severas e estiagens históricas em um curto intervalo de tempo.

Texto e foto: Beatriz Costa

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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