Um estudo inédito divulgado pela WWF-Brasil lança um novo olhar sobre o futuro econômico da Foz do Amazonas e levanta um dado expressivo: a região pode estar abrindo mão de até R$ 47 bilhões ao apostar em atividades de alto impacto ambiental, como a exploração de petróleo.
A pesquisa analisa o chamado “custo de oportunidade”, ou seja, o quanto se deixa de ganhar ao priorizar um modelo econômico em detrimento de alternativas mais sustentáveis. Segundo o levantamento, investir em atividades como a bioeconomia, o turismo de base comunitária e a pesca sustentável pode gerar retornos socioeconômicos mais amplos e duradouros para a região.
De acordo com o estudo, a exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas apresenta riscos ambientais significativos, especialmente por se tratar de uma área sensível, rica em biodiversidade e ainda pouco explorada cientificamente. Além disso, os benefícios econômicos dessa atividade tendem a ser concentrados e de curto prazo, o que limita seu impacto positivo na população local.
Em contrapartida, o relatório destaca que modelos sustentáveis têm maior capacidade de gerar emprego, renda e desenvolvimento regional de forma contínua. A bioeconomia, por exemplo, valoriza os recursos naturais da floresta sem comprometer sua conservação, promovendo cadeias produtivas baseadas em conhecimento tradicional e inovação.
Outro ponto ressaltado é o potencial do turismo sustentável, que pode transformar a região em um destino de relevância internacional, gerando oportunidades para comunidades locais e incentivando a preservação ambiental. A pesca manejada também aparece como alternativa viável, garantindo segurança alimentar e renda para populações tradicionais.
O estudo reforça ainda que a escolha do modelo de desenvolvimento para a Foz do Amazonas terá impactos diretos não apenas na economia, mas também no meio ambiente e na qualidade de vida das populações que dependem desses territórios.
Para especialistas, o momento é decisivo. A região está diante de uma encruzilhada entre um modelo econômico baseado na exploração de recursos naturais de forma intensiva e outro que aposta na sustentabilidade como motor de crescimento.
A conclusão do levantamento é clara: investir em alternativas sustentáveis não apenas preserva o meio ambiente, como também pode gerar retornos econômicos mais significativos e duradouros, consolidando um futuro mais equilibrado para a Amazônia e para o Brasil.
Fonte: WWF Brasil

