Livro revela bastidores da eleição do papa Leão 14 e influência de Francisco no conclave

Um ano após a morte do Papa Francisco, novos detalhes sobre a eleição de seu sucessor vêm à tona e revelam uma articulação discreta, mas decisiva, nos bastidores do Vaticano. A escolha do Papa Leão 14, eleito em maio de 2025, é retratada como uma das últimas grandes influências do pontífice argentino.

As informações estão no livro The Election of Pope Leon XIV – The Last Surprise of Pope Francis, escrito pela jornalista argentina Elisabetta Piqué em parceria com o jornalista irlandês Gerard O’Connell. A obra reconstrói os dias que sucederam a morte de Francisco até a eleição do então cardeal Robert Francis Prevost, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos.

Segundo Piqué, embora não pudesse indicar diretamente um sucessor, Francisco deixou sinais claros de que desejava continuidade em sua linha pastoral. Entre eles, elogios públicos a Prevost e decisões estratégicas dentro da Igreja que acabaram fortalecendo sua candidatura. “Ele criou as condições para que aquela eleição fosse possível”, aponta a jornalista.

Apesar disso, Prevost não era considerado favorito. Pelo contrário: o fato de ser americano era visto como um obstáculo dentro do colégio de cardeais. O próprio religioso acreditava que sua eleição era improvável. Ainda assim, sua trajetória missionária no Peru, sua experiência administrativa e seu perfil conciliador passaram a ganhar força entre os eleitores do conclave.

A escolha, segundo o livro, foi resultado de uma articulação discreta e estratégica, construída sem exposição pública excessiva, o que ajudou a consolidar apoio sem desgastar o nome do candidato.

Um ano depois, o pontificado de Leão 14 começa a ganhar contornos próprios. Considerado mais reservado que seu antecessor, o papa tem adotado uma postura firme em temas globais, como conflitos internacionais e migração. Em declarações recentes, ele criticou discursos que defendem guerras como “justas” e reafirmou a importância da paz e do diálogo.

A posição foi interpretada como uma resposta indireta ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem defendido políticas mais duras em relação a conflitos e imigração. Ainda assim, especialistas apontam que a postura do pontífice segue uma tradição histórica do Vaticano de influência diplomática baseada no diálogo, o chamado “soft power”.

Outro aspecto que chama atenção é justamente sua origem. Nascido em Chicago, Leão 14 é o primeiro papa americano da história, mas também carrega forte ligação com a América Latina, onde atuou como missionário por décadas. Essa combinação, que antes parecia um obstáculo, hoje é vista como um diferencial em um cenário global cada vez mais complexo.

Internamente, seu pontificado também tem gerado expectativas e tensões. Setores mais conservadores da Igreja demonstram frustração por não verem mudanças estruturais mais profundas, enquanto outras alas enxergam continuidade nas reformas iniciadas por Francisco, como a maior participação de leigos e mulheres na administração eclesiástica.

Para analistas, ainda é cedo para avaliar os rumos definitivos do novo papa. Seu estilo mais cauteloso, marcado pela escuta e pela reflexão, indica um processo gradual de consolidação de liderança.

Entre heranças e novos caminhos, o pontificado de Leão 14 segue em construção, carregando, ao mesmo tempo, a marca de quem o antecedeu e os desafios de um mundo em transformação.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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