O frio está castigando os gaúchos, assim como a região sul do Brasil e os países que fazem fronteiras com o Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.
As noites são muito frias com temperaturas bem abaixo de 0º C, já tivemos temperaturas extremas e durante o dia o sol não é suficiente para aquecer os gaúchos.
extremas e durante o dia o sol não é suficiente para aquecer os gaúchos.
Algumas temperaturas das cidades gaúchas:
Pinheiro Machado: -9,1ºC
São José dos Ausentes: -6,8ºC
Soledade: -6,1ºC
André da Rocha: -5,4ºC
Monte Alegre dos Campos: -5,2ºC
Getúlio Vargas: 5,1ºC
Pedras Altas: -5,0ºC
Livramento: -4,7ºC
Bom Jesus: -4,6ºC
Vacaria: -4,6ºC
Campos Borges: -4,5ºC
Espumoso: -4,4ºC
Cambará do Sul: -4,3ºC
Dom Pedrito: -4,3ºC
Xavier: -4,2ºC
Como se não bastasse o frio, também temos a geada, deixando os campos branquinhos de gelo. A geada é a formação de uma camada de cristais de gelo na superfície exposta, devido a queda de temperatura. Ela ocorre quando a superfície terrestre perde muita energia para o espaço devido ausência de nuvens.
Aqui no RS temos um adágio muito usado que é “frio de renguear cusco”, cusco é a maneira carinhosa que o gaúcho chama seu cão. O frio está muito intenso, para amenizar este frio todo vestimos casacos, poncho, boina, touca, bota, manta no pescoço, luvas, tudo que possa passar esse frio que sentimos. É uma sensação de frio que chega a tremer o nosso corpo, também tomamos chimarrão o dia inteiro, a água quente do nosso amargo ajuda a aquecer nosso corpo. Também colocamos muito fogo nas lareiras e no fogão a lenha.
Nas estâncias, nos galpões os peões deixam o fogo aceso o dia inteiro, sempre com a água do chimarrão bem quente o dia inteiro, para amenizar um pouco esse frio intenso e para os peões poderem campear, que são seus trabalhos: verificar o gado, andar no cavalo, recorrer as cercas, dar comida para os animais… Os peões saem “quebrando geada”, como se fala aqui no sul, por isso precisamos do fogo de chão para ficarmos aquecidos.
O TRADICIONAL FOGO DE CHÃO DOS GAÚCHOS
As longas e frias noites de inverno, nas primitivas tribos indígenas, levaram os nativos a descobrirem o fogo de chão. As brasas incandescentes eram um verdadeiro convite para o doce aconchego, quando o frio parecia congelar tudo e todos. Ao redor do fogo de chão os homens contavam às crianças suas aventuras. O fogo de chão aquecia o sentimento nativo do mestiço, projetando-se no ideal campeiro do gaúcho. Passaram a contar histórias dos primeiros passos da formação do nosso pago como: o cavalo, o gado, as domas, as tropeadas, as carretas, os aramados, as marcações…tudo isso regado com o nosso chimarrão passando de mão em mão e com as alucinações e a bravura de um povo heroico.
Os mais nativos usos e costumes foram aquecidos pelo fogo de chão, foi passado de geração para geração, germinando o nosso folclore gaúcho. A chama acesa confunde-se com a própria história do homem. No fogo de chão aquecemos nosso corpo, nossos corações, a água do chimarrão, fizemos comida e o nosso tradicional churrasco.
Escritora

