Um dos maiores ginetes da Fronteira Oeste do RS e do Uruguai
Márcia Ximenes Nunes
Ele era domador e tinha o dom de amansar cavalos
Vergílio Vargas Nunes era domador e tinha o dom de amansar cavalos. Gineteava como poucos e não usava rebenque para se fazer respeitar. Um dia depois de uma noite tropeando, decidiu montar em um cavalo picasso negro, mas bastou saber que haveria um rodeio ao amanhecer… errou a mão e caiu de lado fraturando três costelas. Ficou um ano sem montar, bastou saber que haveria outro rodeio em Artigas, no Uruguai e foi participar da competição.
Disputou contra os melhores da região e mesmo sentindo uma das costelas venceu montando o pingo que lhe havia estropeado no inverno passado. Por isso também era conhecido como professor, aquele que ia além das suas dores para vencer.
Vergílio foi um dos maiores ginetes da Fronteira Oeste do RS e do Uruguai nos anos 50 a 60.
Campeão em vários concursos de gineteadas, naquela época não existia Centro de Tradições Gaúchas (CTGs) na cidade de Quaraí, os ginetes se apresentavam e participavam de concursos nos estádio de futebol, as arquibancadas ficavam cheias de gente, era a grande programação de domingo, onde arrecadavam rendas e também a oportunidade de vendedores venderem seus produtos como pastéis, algodão-doce, picolés, rapadurinhas, bebidas e outras guloseimas que vendiam na época.
Ele participava de concursos e depois fazia suas belíssimas apresentações em cima do seu cavalo, em Quaraí era no estádio Aluysio Falcão, em Artigas (Uruguai) era no clube San Eugenio no estádio Matias Gonzales, em Santana do Livramento no estádio João Martins e em Uruguaiana no estádio Sá Viana.
Seu pai Gaspar Eustórgio Nunes foi considerado o gaúcho mais bem aperado da Fronteira Oeste do RS, nos desfiles de gaúcho e nas lidas do dia a dia.
Suas apresentações eram com seu cavalo, chucro aporreado , onde ele montava com os olhos vendados, virado de costas e com uma garrafa na mão, era o sucesso nas tardes de domingo, na qual não se tinha muito o que fazer antigamente.
Ele foi um grande gaúcho, mesmo com costelas quebradas, jamais deixou de seguir suas lidas e tradições gaúchas.