A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre milhares de produtos brasileiros já provoca reflexos nas relações comerciais entre os dois países. A medida, adotada pelo governo do presidente Donald Trump, incide principalmente sobre produtos de maior valor agregado e contribui para uma retração estimada de 13% nas trocas bilaterais, aumentando a preocupação de exportadores e da indústria nacional.
O impacto da nova política tarifária concentra-se em estados com forte participação nas exportações para o mercado norte-americano, especialmente aqueles que possuem cadeias industriais voltadas para bens manufaturados.
São Paulo é o estado mais afetado pela medida. Estimativas apontam que cerca de US$ 3,2 bilhões em exportações paulistas estão sujeitos ao novo regime tarifário. Os segmentos químico, metalúrgico e de máquinas agrícolas figuram entre os mais expostos, levando empresas a adotarem medidas de contenção de custos e revisão de estratégias comerciais.
Santa Catarina aparece como o segundo estado mais impactado. Aproximadamente 68% das exportações catarinenses destinadas aos Estados Unidos passaram a enfrentar a sobretaxa, afetando principalmente as cadeias produtivas de madeira, móveis e calçados. O estado possui forte tradição exportadora nesses segmentos, o que amplia os desafios para manutenção da competitividade no mercado internacional.
No Rio de Janeiro e em Minas Gerais, os efeitos concentram-se na redução da demanda norte-americana por produtos siderúrgicos, ferro fundido e óleos brutos de petróleo. A diminuição das compras pode comprometer receitas de empresas exportadoras e gerar reflexos sobre a produção industrial e a geração de empregos.
Embora o agronegócio tenha sido parcialmente preservado, com alguns produtos estratégicos permanecendo fora da lista tarifária, cadeias ligadas à agroindústria e à fabricação de máquinas, equipamentos e produtos processados também acompanham o cenário com cautela, diante do risco de perda de competitividade e da necessidade de diversificar mercados.
Plano para ampliar exportações
Como resposta ao novo ambiente comercial, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um programa de R$ 130 milhões para apoiar a inserção de produtos brasileiros em novos mercados internacionais. Os recursos serão destinados a 57 entidades representativas do setor produtivo, com ações voltadas à promoção comercial, participação em feiras, missões empresariais e prospecção de compradores.
Entre os principais destinos considerados estratégicos está a União Europeia, além de mercados da Ásia, Oriente Médio e América Latina. A iniciativa busca reduzir a dependência do mercado norte-americano e ampliar as oportunidades para empresas brasileiras em um cenário internacional marcado por maior protecionismo.
Especialistas avaliam que a diversificação de mercados será fundamental para preservar a competitividade das exportações brasileiras nos próximos anos. Ao mesmo tempo, reforçam a importância da diplomacia comercial para minimizar os impactos das novas tarifas e preservar as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
Para o setor produtivo, especialmente a indústria e o agronegócio, o momento exige adaptação, busca por novos parceiros comerciais e fortalecimento da presença brasileira em mercados considerados estratégicos para sustentar o crescimento das exportações.

