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Série estâncias do Alegrete “Querência do Inhanduy”

Hoje conheceremos mais uma história das estâncias do Alegrete contada com todo carinho e entusiasmo por Hilton Ribeiro Pedroso

Agora é só vocês viajarem para o passado junto com Hilton Ribeiro Pedroso .

“…Minha história começou por volta de 1950, meu avô Acássio do Prado Pedroso comprou a estância da Santa Amazille da família Freitas Vale, foi comprando e chegou a povoar quase 100 quadras sesmarias no Inhanduy, também teve propriedade no Rincão de São Miguel, mais umas 60 quadras entre propriedade e arrendamento.

Como antigamente, tinham muitos filhos foi havendo uma distribuição familiar de terras e nos tocou a “Querência do Inhanduy”, nesses campos era a invernada de meu avô, meu pai recebeu na década de 60, 64 por ai, o nome do meu pai era Milton Fontoura Pedroso e hoje onde era a Santa Amazille, tem aproximadamente umas 20 estâncias.

 A maioria foi vendida, já trocaram de donos e hoje eu arrendo as terras da minha mãe, Eneida Ribeiro Pedroso, moro e trabalho aqui há 20 anos. Me criei na Santa Amazille, desde guri, depois fui estudar em Alegrete, Santa Maria e Porto Alegre e vim fazer Medicina Veterinária em Uruguaiana.

Depois de formado fui administrar a estância da minha vó, na época Santa Amazille e com o falecimento dela, dividiram os campos e eu acabei vindo morar aqui na Querência do Inhanduy, trabalhando com pecuária.

A Santa Amazille foi estância missioneira, com mangueiras redondas, tecnologia dos jesuítas, mangueiras redondas de pedras mouras das quebradas do Inhanduy, que é uma palavra indígena, tupi-guarani que significa ema ou aranha.

Apaixonado pelos cavalos Appaloosa

Sou pecuarista, criador de gados bovinos e ovinos, muitos cavalos, na qual sou apaixonado pelos cavalos Appaloosa. Depois dessa reforma natural, me sobrou 300 hectares, recebi também um campo no Ibirocai, onde arrendo lá que é da minha mãe também.

Meu gado é Red Poll, de origem britânica, uma herança de família, desde o tempo do meu avô, mais de 50 anos na família. É um gado misto entre carne e leite que uso cruzar com gado Aberdeen e Angus, houveram também cruzamentos com Zebuínos, Charolês.

 Hoje com a busca da carne europeia, estou me direcionando com cruzamento do Aberdeen, mantenho e busco a pelagem colorada, considero mais ecológica. Em termos de ovelhas, também uma herança de família, meu pai usou mais de 20 anos a inseminação artificial, recebi um rebanho Corriedale.

 Sou criador de cavalos da raça Appaloosa. Depois de formado fui contratado pela ABCCAppaloosa e fui o 1° técnico dessa raça no Rio Grande do Sul. Os nativos Americanos tinham gosto por essa pelagem, é uma raça americana de cavalos, conhecida principalmente pelo padrão de sua pelagem, que por vezes lhe confere o apelido de “cavalo pintado”.

Distingue-se pelas cores que são herança de cavalos primitivos, visto que trata-se de uma raça muito antiga, representada em pinturas rupestres datadas de até 18.000 anos a.C.

Nossos campos são vocacionados para a pecuária, campos duros, finos, campos de basalto, com pouca cobertura de terra. Sou produtor de terneiros e vendo para os criadores. Gados ovinos metade carne e metade lã. Sou associado da Cooperativa de lã Tejupa de São Gabriel – RS, na qual mando para lá a minha produção de lã.

Fui produtor de pelegos, mas vale muito pouco e comecei a trabalhar com ovelhas pretas. Temos aproximadamente 200 reses, 250 ovelhas e 60 cavalos. Também tenho um cachorro da raça Cimarron Uruguayo, uma raça canina assilvestrada oriunda do Uruguai, o nome dele é Dalle (D’Alessandro). 

Temos apenas um funcionário que mora com a família aqui na estância.

Como morador da campanha, tenho o hábito de dormir muito cedo e acordar cedo, 4.30hs da manhã faço o meu mate e espero clarear o dia, depois vou para a lida campeira. Se não tem nada programado de banho de animais, vacinações e manejos, vamos cuidar da manutenção da propriedade, cercas, alambrados, mangueiras.

Gosto muito da vida do campo, do silêncio das noites iluminadas por um manto de estrelas e do amanhecer com o canto do galo, mugido das vacas, trote dos cavalos e o cheiro dos campos…”

Texto Márcia Ximenes Nunes

Edição: Dulce Maria Rodriguez

Fotos: Hilton Ribeiro Pedroso 

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