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Sebrae leva 26 empresas à 48ª Expoagro e aposta em inovação para ampliar mercado do agro amazonense

Instituição apresenta produtos de diferentes cadeias produtivas e destaca investimentos em tecnologia, gestão, pecuária, genética e acesso ao mercado para fortalecer pequenos negócios rurais

A 48ª Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro) funciona como uma vitrine para pequenos negócios que buscam ampliar mercado e transformar a produção rural em oportunidade de geração de renda. Nesta edição, o Sebrae Amazonas participa da feira com 26 empresas de diferentes segmentos do agronegócio, apresentando produtos desenvolvidos e acompanhados pela instituição.

Segundo a diretora técnica do Sebrae Amazonas, Lamisse Said Cavalcanti, uma das principais estratégias da instituição durante a Expoagro é aproximar os empreendedores do mercado e dar visibilidade a produtos que vêm sendo desenvolvidos ao longo do ano.

“A estratégia é trazer acesso ao mercado dos nossos clientes. Estamos com 26 empresas dos mais diversos setores que a gente trabalha dentro do agronegócio e trazendo essa novidade, porque temos muitos produtos novos que estão sendo trabalhados este ano”, afirmou.

Para Lamisse, a feira oferece aos empreendedores a oportunidade de apresentar esses produtos diretamente ao público e ampliar as possibilidades de comercialização.

“Aqui é uma vitrine para que eles mostrem esses produtos, acabem divulgando e tenham maiores possibilidades de venda e geração de renda”, acrescentou.

Desafio não é apenas abrir, mas permanecer no mercado

A participação na Expoagro faz parte de um trabalho que, segundo a diretora, não termina quando a feira fecha os portões.

Para o Sebrae, um dos principais desafios é aumentar a capacidade de sobrevivência e crescimento dos pequenos negócios.

“O maior legado que você pode ter para essas empresas é que elas cresçam, se desenvolvam e permaneçam no mercado, porque abrir é muito fácil. Agora, manter é o que é mais difícil”, destacou Lamisse.

Nesse processo, gestão, inovação, adequação dos produtos e acesso a tecnologias passam a ter peso tão importante quanto a própria produção.

A instituição também trabalha aspectos necessários para que empreendimentos consigam ampliar sua área de comercialização. Isso envolve desde melhoria de produtos e processos até adequação às normas técnicas e exigências sanitárias.

Segundo Lamisse, o trabalho não ocorre por meio de uma intervenção isolada, mas de um acompanhamento que identifica diferentes necessidades de cada negócio.

“A gente chega nessas empresas, verifica o que elas precisam melhorar para aumentar sua receita, como podem estar se normalizando, trazendo a questão das normas técnicas, da Vigilância Sanitária, tudo que precisam para atuar, vender e comercializar fora do município onde estão”, explicou.

Tecnologia com subsídio para pequenos negócios

Uma das ferramentas citadas pela diretora é o Sebraetec, programa utilizado para aproximar inovação e tecnologia das pequenas empresas.

De acordo com Lamisse, o Sebrae subsidia 70% do valor do serviço, enquanto o empresário assume os 30% restantes, com possibilidade de parcelamento.

“O Sebrae entra com subsídio de 70% e o empresário paga 30%. Dentro do Sebraetec, nós temos cerca de 400 fichas técnicas com serviços em que podemos agregar inovação e tecnologia para que essas empresas estejam mais hábeis a atuar no mercado”, afirmou.

A estratégia busca atender necessidades específicas de cada empreendimento, permitindo que tecnologia e inovação sejam incorporadas também por negócios que teriam maior dificuldade de acessar esses serviços por conta própria.

Erivan dos Santos Oliveira é um analista técnico e gestor de projetos de agronegócios do Sebrae Amazonas.

Pecuária busca produzir mais sem ampliar áreas

Na cadeia pecuária, o Sebrae desenvolve ações relacionadas à qualidade das pastagens, alimentação dos animais e melhoramento genético.

Segundo Erivan Oliveira, que atua analista técnico e gestor de projetos de agronegócios da instituição, uma das tecnologias trabalhadas junto aos produtores está relacionada às boas práticas para melhorar a qualidade das pastagens.

O objetivo é combinar alimentação adequada com animais de maior potencial genético, elevando a produtividade de carne e leite sem que o crescimento da atividade dependa necessariamente da abertura de novas áreas.

“Esse animal com potencial genético maior de produção, tanto de carne quanto de leite, possibilita que o produtor, sem a necessidade de abrir novas áreas, utilize aquela mesma área, com alimentação adequada, mas com um animal com potencial de produção melhor”, explicou.

Outro avanço destacado está na produção de alimento para enfrentar os períodos mais críticos do ano.

Entre as alternativas trabalhadas estão a produção de silagem de milho e o cultivo de forrageiras como o capiaçu, permitindo formar reservas para alimentação do rebanho durante o verão.

A estratégia ganha importância diante das condições climáticas do Amazonas, onde períodos mais intensos de estiagem podem comprometer pastagens e aumentar os custos para manutenção dos animais.

Do melhoramento genético ao leite industrializado

A atuação do Sebrae também busca conectar diferentes etapas da cadeia produtiva.

Durante a Expoagro, Erivan destacou a presença de indústrias de laticínios apoiadas pela instituição, mostrando ao público o resultado final de uma cadeia que começa na propriedade, passa pela alimentação e genética do rebanho e chega ao processamento do leite.

Segundo ele, seis indústrias de laticínios do estado são apoiadas pelo Sebrae, com cinco delas presentes no espaço citado durante a entrevista.

A lógica é trabalhar a atividade de maneira integrada: melhorar pastagem, alimentação e genética para aumentar a eficiência da produção e, posteriormente, transformar o leite em produtos com maior valor comercial.

Café também ganha espaço

Além da pecuária, outras cadeias produtivas vêm recebendo atenção do Sebrae.

Lamisse destacou especialmente o crescimento da cafeicultura amazonense e afirmou que a instituição vem ampliando o trabalho com produtores do setor.

Segundo a diretora, o café apresentou crescimento de cerca de 350%, dado citado por ela durante a entrevista, e já existem iniciativas acompanhadas em diferentes pontos do estado.

“A gente tem café, tem café de Manaus, tem café de Presidente Figueiredo, e estamos trabalhando muito agora essa cultura para que ela também se fortaleça”, afirmou.

A diretora também mencionou a piscicultura, a pecuária bovina e o trabalho mais recente com bubalinos, inclusive com ações relacionadas à genética animal.

A presença em diferentes cadeias está relacionada à capilaridade da instituição. Segundo Lamisse, o Sebrae atua nos 62 municípios amazonenses, buscando desenvolver projetos de acordo com a vocação produtiva de cada localidade.

Mercado consumidor é oportunidade para crescer

Para Erivan, o potencial de expansão da pecuária também precisa ser analisado a partir do tamanho do mercado consumidor do Amazonas.

Grande parte dos alimentos consumidos no estado ainda chega de outras regiões do país, o que, na avaliação do técnico, representa espaço para crescimento da produção local.

O desafio é transformar esse mercado consumidor em oportunidade para os próprios produtores amazonenses, aumentando produtividade e competitividade sem dissociar crescimento econômico de eficiência no uso da área.

Entre empresas apresentando seus produtos e ações voltadas à inovação, gestão e melhoria da produção, a participação do Sebrae na 48ª Expoagro mostra uma cadeia que começa antes da porteira, passa pela propriedade e precisa terminar no mercado.

Para os pequenos negócios rurais, o desafio colocado pela instituição é justamente fazer com que a visibilidade conquistada durante a feira se transforme em permanência no mercado, aumento de vendas e geração de renda depois que a Expoagro terminar.

 

Texto: Beatriz Costa

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