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Quadrilhas de Urucará vão além da arena e mantêm trabalho social durante o ano, destaca Lélia França

 

Secretária municipal de Educação e Cultura ressalta acompanhamento da vida escolar dos participantes e afirma que atuação das agremiações revela dimensão social do Festival de Quadrilhas Estilizadas

Por trás dos figurinos, coreografias e alegorias que tomam a arena do Festival de Quadrilhas Estilizadas de Urucará existe um trabalho que não se encerra depois da apresentação. As agremiações mantêm atividades ao longo do ano e acompanham, inclusive, a frequência escolar de seus integrantes, segundo a secretária municipal de Educação e Cultura, Lélia França.

O município realiza neste sábado (5) a 26ª edição do Festival de Quadrilhas Estilizadas, reunindo quatro agremiações: Associação Folclórica Os Compadres de São José, Associação Cultural Contradança, Associação Cultural Santana Tradicional e Associação Cultural Junina Aparecida.

Para Lélia França, compreender o festival exige olhar também para o que acontece longe dos olhos do público. A secretária destacou o envolvimento das associações com seus integrantes e o trabalho desenvolvido antes mesmo do período de preparação para a disputa.

“Atrás do festival existe um projeto social que eles fazem durante o ano todo. Eles acompanham a frequência escolar. Então isso é muito legal, porque não é só em relação ao festival em si, não é só o evento. Existe todo um trabalho que é feito”, afirmou.

A relação entre educação, participação comunitária e manifestação cultural ganha relevância em um festival que mobiliza diferentes gerações. Durante meses, os grupos se dedicam à preparação de coreografias, figurinos, músicas, alegorias e enredos que serão apresentados ao público.

Lélia França, Secretária Municipal de Educação e Cultura de Urucará-AM

Uma tradição construída pelas comunidades

A história das agremiações ajuda a dimensionar a presença das quadrilhas na vida cultural de Urucará.

A Associação Folclórica Os Compadres de São José, por exemplo, foi criada em 24 de julho de 1975 e está ligada ao bairro São José, na zona oeste do município. Em 2026, a associação completa 51 anos de trajetória.

A Contradança carrega uma história que antecede sua formação em Urucará. Sua origem remonta à comunidade de Urucarázinho, no município de Urucurituba, em 1970. Após famílias se mudarem para Urucará, a tradição ganhou continuidade no bairro São Pedro. Em 18 de junho de 1996, Joaquim Lavareda reuniu casais para o primeiro ensaio da Contradança no município.

A Santana Tradicional surgiu em 1995 e inicialmente era conhecida como “Diva na Roça”. Já a Junina Aparecida nasceu da mobilização de moradores do bairro de Aparecida e passou por diferentes fases até a constituição oficial da associação.

São trajetórias que ajudam a explicar por que, para Lélia, o festival ultrapassa os limites de uma competição.

“É uma potência esse festival”

O contato mais próximo da secretária com a organização ocorreu antes mesmo de ela assumir a pasta. Lélia contou que, em 2024, foi convidada a colaborar com o regulamento do festival.

“Em 2024, eu ainda nem era secretária na época e fui convidada para vir ajudar o regulamento do festival, porque é uma potência esse festival”, contou.

Foi a partir dessa aproximação que, segundo ela, passou a conhecer melhor o trabalho desenvolvido pelas associações e a dimensão da dedicação existente nos bastidores.

Para a secretária, mostrar as costureiras, os locais de preparação e as pessoas que trabalham durante meses para colocar as quadrilhas na arena também é uma maneira de compreender o significado da manifestação cultural.

Lélia afirma que ficou impressionada ao conhecer mais de perto essa estrutura e vê na divulgação do festival uma oportunidade de ampliar o reconhecimento da cultura produzida no município.

“Saber que vai ter visibilidade, que vai mostrar essa cultura tão linda, tão rica”, disse. “Eles realmente se dedicam muito para dar o melhor.”

Essa dedicação poderá ser vista na arena durante o XXVI Festival de Quadrilhas Estilizadas. Além da disputa entre as quatro associações, a programação representa o resultado de meses de trabalho de brincantes, artistas e famílias que mantêm viva uma tradição construída dentro das comunidades de Urucará.

Texto: Beatriz Costa

Fotos: Antonio Ximenes

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