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Projetos de infraestrutura de ao menos R$ 204 bilhões ficam para o próximo governo

Adiamentos atingem concessões de rodovias, ferrovias, portos e hidrovias previstas para 2026, com empreendimentos transferidos para 2027 ou anos seguintes

Uma carteira de projetos de infraestrutura que soma pelo menos R$ 204 bilhões em investimentos previstos ficará para o próximo mandato presidencial. Concessões de rodovias, ferrovias, portos e hidrovias que estavam programadas para avançar em 2026 tiveram seus cronogramas alterados e foram transferidas para 2027 ou para os anos seguintes.

Os adiamentos atingiram alguns dos principais projetos anunciados pelo governo federal. Entre os fatores que contribuíram para as mudanças estão problemas na elaboração de estudos, alterações de cronograma, acúmulo de projetos na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e dificuldades na tramitação de processos no Tribunal de Contas da União (TCU).

O valor de R$ 204 bilhões ainda pode aumentar. A soma considera os empreendimentos que já possuem estimativas de investimento, mas não inclui projetos cujos valores ainda não foram consolidados nem as concessões de hidrovias que também tiveram os cronogramas adiados.

Ferrovias concentram maior volume de investimentos

O setor ferroviário responde pela maior parcela dos recursos que avançaram para o próximo mandato. Projetos com aproximadamente R$ 154,9 bilhões em investimentos previstos deverão ser executados a partir de 2027.

Dos oito leilões ferroviários inicialmente previstos pelo Ministério dos Transportes para 2026, apenas o Corredor Minas-Rio permanece com expectativa de realização neste ano. O certame está marcado para dezembro.

Outros projetos importantes, como o Anel Ferroviário do Sudeste, conhecido como EF-118, entre Rio de Janeiro e Espírito Santo, e a Malha Oeste, entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, ainda podem ter seus editais publicados neste ano. Os leilões, entretanto, deverão ocorrer somente no próximo governo.

A Ferrogrão, planejada para ligar Mato Grosso ao Pará e considerada estratégica para o transporte de produtos agrícolas até os portos do Arco Norte, também permanece entre os projetos sem data definida para leilão.

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o governo pretende concluir as etapas de preparação sem acelerar procedimentos necessários à modelagem das concessões. Segundo ele, a intenção é publicar editais ainda em 2026 para permitir a realização dos certames no início do próximo ano.

Rodovias somam R$ 28,8 bilhões adiados

Nas rodovias, o governo havia apresentado uma carteira de 13 leilões para 2026. A previsão atual é terminar o ano com sete certames realizados, deixando os demais para o próximo mandato.

Os projetos rodoviários adiados representam cerca de R$ 28,8 bilhões em investimentos previstos.

Até setembro, três leilões haviam sido realizados. Foram contemplados o lote das Rotas Gerais, envolvendo as BRs 116 e 251 em Minas Gerais, a Rota dos Sertões, nas BRs 116 e 324 na Bahia e em Pernambuco, e a repactuação de 383 quilômetros da Rodovia Régis Bittencourt, entre São Paulo e Paraná.

O Ministério dos Transportes ainda prevê outros quatro leilões até dezembro. A pasta afirma que mantém 32 projetos rodoviários em planejamento e estudos para os próximos ciclos de concessões.

Entre os empreendimentos transferidos para o próximo mandato estão projetos relacionados à Rodovia Transbrasiliana, em São Paulo, à Rota Planalto Sul, no Paraná e em Santa Catarina, e à Rota Litoral Sul, nos mesmos dois estados. Também foram adiados os leilões dos lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina.

Apenas três de 18 leilões portuários foram realizados

A agenda de portos também avançou abaixo do inicialmente previsto. O Ministério de Portos e Aeroportos havia apresentado uma carteira com 18 leilões para 2026. Até setembro, apenas três haviam sido realizados.

Os outros 15 permanecem em diferentes fases, como consultas públicas, ajustes de estudos, avaliações regulatórias ou preparação para licitação.

Os projetos portuários transferidos para 2027 ou anos posteriores concentram pelo menos R$ 20,8 bilhões em investimentos. A estimativa considera 13 dos 15 empreendimentos pendentes que já possuem valores calculados.

Entre os projetos de maior porte está o Tecon Santos 10, no Porto de Santos, com previsão de R$ 6,4 bilhões em investimentos.

Outro empreendimento é o canal de acesso ao Porto de Santos, estimado em R$ 6,45 bilhões. A audiência pública foi realizada no início deste mês e o período para apresentação de contribuições permanece aberto até 29 de setembro.

Em Santa Catarina, o projeto ITJ01, no Porto de Itajaí, prevê aproximadamente R$ 2,66 bilhões. A proposta ainda passa pelas etapas regulatórias necessárias antes da publicação do edital.

Concessões de hidrovias também foram adiadas

As cinco concessões de hidrovias anunciadas para 2026 também tiveram seus cronogramas transferidos. Os projetos envolvem importantes corredores logísticos utilizados ou planejados para o transporte de cargas.

O governo pretendia realizar neste ano o primeiro leilão de uma hidrovia federal, no rio Paraguai. O cronograma não avançou conforme o previsto.

Projetos relacionados aos rios Madeira, Tocantins e Tapajós também enfrentaram mudanças à medida que os estudos identificaram questões técnicas, ambientais, jurídicas e sociais.

No rio Madeira, por exemplo, a modelagem precisou ser revista após discussões envolvendo comunidades locais e povos indígenas. Situações semelhantes atingiram projetos no Tapajós e no Tocantins, que permanecem sem data definida para leilão.

As concessões hidroviárias pretendem transferir à iniciativa privada serviços como dragagem, sinalização, balizamento, monitoramento e manutenção dos canais navegáveis durante contratos de longo prazo.

Governo realizou 50 leilões entre 2023 e 2025

Apesar dos atrasos registrados em 2026, o atual mandato realizou 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos entre 2023 e 2025, segundo levantamento dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos.

O Ministério de Portos e Aeroportos afirma que sua carteira continua em execução e que os projetos se encontram em diferentes fases de estruturação, análise técnica, avaliação regulatória, controle externo e consulta pública.

No setor rodoviário, o Ministério dos Transportes informou que o novo cronograma dos próximos leilões deverá ser divulgado em novembro.

Com parte significativa da carteira transferida para 2027, o próximo governo receberá projetos que abrangem corredores ferroviários, rodovias, terminais portuários e hidrovias considerados relevantes para a logística nacional. Somente os empreendimentos que já possuem valores estimados representam ao menos R$ 204 bilhões em investimentos, montante que poderá crescer à medida que os demais projetos avancem nos estudos e tenham seus custos definidos.

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