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Presidência brasileira da COP30 apresenta planos globais para reduzir uso de combustíveis fósseis e acabar com o desmatamento até 2030

Documentos estabelecem diretrizes para orientar países na transição energética e na proteção das florestas. Iniciativa pretende transformar compromissos climáticos internacionais em ações concretas e será apresentada como legado brasileiro à COP31.

BRASÍLIA (DF) — A Presidência brasileira da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) apresentou dois documentos internacionais que estabelecem caminhos para enfrentar alguns dos principais desafios ambientais do planeta: a dependência dos combustíveis fósseis e o avanço do desmatamento. O anúncio foi realizado na terça-feira (3), em Brasília, com participação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Os chamados Mapas do Caminho foram elaborados para orientar governos, instituições financeiras, empresas e organizações da sociedade civil na implementação de medidas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e à conservação ambiental.

Os documentos abordam duas metas centrais: acelerar a transição para o afastamento dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos e parar e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.

A apresentação contou com a participação do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; do presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago; da diretora-executiva da conferência, Ana Toni; e de representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Transição energética prevê redução da dependência do petróleo, carvão e gás

O primeiro documento apresenta orientações para que os países reduzam gradualmente a dependência dos combustíveis fósseis e ampliem a utilização de fontes energéticas de baixas emissões.

A proposta considera a expansão das energias renováveis, a eletrificação dos transportes e da indústria e o aumento da eficiência energética como instrumentos importantes para transformar os sistemas de produção e consumo de energia.

O planejamento também destaca que a redução da produção de combustíveis fósseis precisa acompanhar a diminuição da demanda, evitando desequilíbrios no abastecimento e oscilações nos preços internacionais.

Uma das ferramentas apresentadas é o Índice de Prontidão para a Transição de Belém, desenvolvido para avaliar as condições de cada país em três dimensões: demanda de energia, oferta de energia e estrutura econômica.

A ferramenta considera que os países possuem diferentes níveis de dependência dos combustíveis fósseis e capacidades financeiras e tecnológicas. Por isso, as estratégias precisam respeitar as particularidades econômicas e sociais de cada território.

Segundo documento estabelece cinco frentes para proteger as florestas

O segundo Mapa do Caminho concentra-se na conservação e recuperação das florestas, com a meta de interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.

A proposta possui alcance global e contempla florestas tropicais, subtropicais, temperadas e boreais, além de ecossistemas associados, como manguezais e turfeiras.

O documento organiza as medidas em cinco áreas prioritárias:

  • Conservação das florestas existentes;
  • Manejo florestal sustentável, agrofloresta e bioeconomia;
  • Combate à degradação florestal;
  • Prevenção e combate ao desmatamento;
  • Restauração, reflorestamento e florestamento.

Também são propostas ações para aprimorar o monitoramento ambiental, ampliar a assistência técnica, combater crimes ambientais transnacionais e estimular atividades econômicas livres de desmatamento.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentados no documento, o desmatamento anual caiu de 17,6 milhões de hectares, entre 1990 e 2000, para 10,9 milhões de hectares no período de 2015 a 2025. Apesar da redução, a perda de florestas continua representando um desafio global.

Amazônia ganha destaque na agenda climática internacional

A proteção das florestas tropicais ocupa posição estratégica nas propostas apresentadas pela Presidência da COP30. A Amazônia, considerada um dos principais ecossistemas para a regulação climática mundial, está entre as regiões diretamente relacionadas aos objetivos do documento.

Além da retirada da cobertura vegetal, a degradação florestal também recebe atenção especial. Esse processo pode ocorrer mesmo quando a floresta permanece aparentemente em pé, mas perde capacidade de armazenar carbono, regular o ciclo da água e sustentar a biodiversidade.

O plano propõe ampliar mecanismos de financiamento internacional e criar incentivos para países e comunidades que desenvolvem iniciativas de conservação e manejo sustentável.

Entre os instrumentos mencionados estão pagamentos por resultados, mecanismos de redução de emissões provenientes do desmatamento e da degradação florestal (REDD+) e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).

Documentos não são obrigatórios, mas orientam políticas públicas

Os Mapas do Caminho foram desenvolvidos a partir de consultas internacionais e contribuições de governos, pesquisadores, representantes do setor privado, povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil.

Segundo a Presidência da COP30, os documentos possuem caráter voluntário e orientador. Portanto, não estabelecem obrigações legais para os países nem constituem novos acordos internacionais.

A iniciativa busca facilitar a implementação de compromissos já assumidos no âmbito do Acordo de Paris e de decisões anteriores das conferências climáticas das Nações Unidas.

O ministro João Paulo Capobianco destacou que os documentos representam um legado da Presidência brasileira da COP30, ao reunir experiências e propostas para transformar compromissos políticos em ações práticas.

Brasil pretende levar iniciativa como legado à COP31

A apresentação dos dois documentos representa uma das principais iniciativas posteriores à realização da COP30, em Belém, no Pará, em novembro de 2025.

A Presidência brasileira pretende levar os Mapas do Caminho à próxima conferência climática, a COP31, prevista para ocorrer em Antália, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro de 2026.

A expectativa é que os instrumentos contribuam para ampliar a cooperação internacional, mobilizar investimentos e acelerar medidas de enfrentamento às mudanças climáticas.

Com as propostas, o Brasil busca manter a agenda de transição energética e proteção das florestas no centro das discussões internacionais, reforçando a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico, segurança energética, preservação ambiental e qualidade de vida das populações.

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