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Petróleo cai mais de 2% com redução de ataques no Oriente Médio e expectativa de distensão com Irã

Barril do Brent chegou a US$ 103,43, menor valor em quase uma semana, após redução das ofensivas na região e sinais de menor risco imediato para o abastecimento mundial

Os preços internacionais do petróleo registraram forte queda nesta quinta-feira (17), em meio à redução momentânea das ofensivas no Oriente Médio e à diminuição dos temores de novas interrupções no fornecimento da commodity.

O barril do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, chegou a recuar 2,27%, para US$ 103,43, por volta das 7h, no horário de Brasília. Durante a madrugada, a commodity havia sido negociada entre US$ 104 e US$ 105.

O movimento levou o Brent ao menor patamar desde a última sexta-feira (11), embora os preços permaneçam elevados diante das tensões geopolíticas que continuam afetando algumas das principais rotas de petróleo do mundo.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos Estados Unidos, também registrou queda e era negociado próximo de US$ 101 por barril durante a manhã.

Redução dos ataques alivia mercado

Entre os fatores que contribuíram para a queda está a diminuição das ofensivas envolvendo os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e forças da Arábia Saudita.

Os confrontos aumentaram nas últimas semanas a preocupação com o fluxo de petróleo pelo estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico.

A rota ganhou ainda mais importância diante das dificuldades enfrentadas em outras áreas estratégicas do Oriente Médio.

A diminuição dos ataques trouxe algum alívio ao mercado, reduzindo temporariamente o chamado prêmio de risco incorporado ao preço do petróleo em períodos de instabilidade geopolítica.

Arábia Saudita busca alternativas para exportações

Outro fator que contribuiu para a redução dos preços foi a adoção de alternativas pela Arábia Saudita para manter o escoamento de petróleo.

Informações divulgadas nesta quinta-feira apontaram que o país passou a oferecer cargas adicionais de petróleo por meio de Omã, reduzindo parte das preocupações provocadas pelos problemas registrados na infraestrutura saudita.

A Arábia Saudita também trabalha para restabelecer sua importante estrutura de transporte Leste-Oeste, afetada pelos recentes ataques.

A combinação entre novas alternativas logísticas e menor intensidade das ofensivas reduziu, ao menos momentaneamente, o receio de uma interrupção mais severa da oferta mundial de petróleo.

Trump fala em possível aproximação com Irã

O mercado também acompanha as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível distensão no conflito com o Irã.

Trump voltou a afirmar nesta semana que acredita que o conflito pode estar se aproximando de uma solução e indicou a possibilidade de um acordo.

As declarações foram recebidas como um sinal de possível redução das tensões, mas ainda não representam um entendimento entre Washington e Teerã.

O Irã não confirmou a avaliação apresentada pelo presidente americano e já havia indicado que não aceitaria negociar com os Estados Unidos enquanto determinadas condições iranianas não fossem atendidas.

Trump também deverá se reunir na próxima terça-feira (22), em Nova York, com representantes de países do Conselho de Cooperação do Golfo, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Oriente Médio mantém petróleo sob pressão

Apesar da queda desta quinta-feira, o cenário permanece volátil.

A guerra e os ataques contra infraestruturas e rotas marítimas elevaram significativamente os preços do petróleo nos últimos meses. O Brent chegou recentemente a superar os US$ 105 e atingiu máximas de aproximadamente quatro meses.

A situação do Estreito de Hormuz continua sendo um dos principais pontos de atenção do mercado internacional. Antes do atual conflito, a passagem concentrava parcela significativa do comércio mundial de petróleo e gás.

As tensões no Mar Vermelho e em Bab el-Mandeb acrescentaram uma segunda frente de preocupação para o transporte marítimo de energia.

Por isso, mesmo com o recuo registrado nesta quinta-feira, analistas e investidores continuam acompanhando os desdobramentos militares e diplomáticos no Oriente Médio.

Qualquer nova escalada capaz de comprometer portos, oleodutos ou rotas marítimas estratégicas pode voltar a pressionar os preços internacionais. Da mesma forma, uma redução consistente das hostilidades e a normalização do fluxo de petróleo podem retirar parte do prêmio de risco que mantém a commodity acima dos níveis registrados antes da intensificação do conflito.

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