Estatal planeja perfurar mais três poços na Bacia da Foz do Amazonas após identificar petróleo em duas camadas no poço Morpho; resultados serão fundamentais para avaliar o potencial econômico da região.
A Petrobras prepara uma nova etapa de exploração de petróleo na costa do Amapá, com previsão de perfurar outros três poços no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A campanha deverá avançar a partir de 2027, após a conclusão dos trabalhos no poço Morpho, onde a companhia identificou petróleo em duas camadas de rochas.
A nova fase faz parte da estratégia da estatal para avaliar o potencial petrolífero da Margem Equatorial brasileira, considerada uma fronteira importante para a expansão das reservas nacionais de petróleo e gás natural.
De acordo com o planejamento divulgado, a sonda NS-42, que atua no poço Morpho, deverá seguir para a Bacia Potiguar, entre o Rio Grande do Norte e o Ceará, após finalizar as atividades no Amapá. Uma nova unidade deverá assumir as próximas perfurações no bloco exploratório.
Descobertas ampliam as perspectivas de exploração
O poço Morpho está localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa amapaense, em uma área com lâmina d’água de cerca de 2.886 metros. A Petrobras anunciou, em agosto de 2026, a primeira descoberta de petróleo no local e confirmou uma nova ocorrência em outubro, em um intervalo mais profundo.
As descobertas ampliam o conhecimento geológico da região e oferecem novos elementos para a avaliação do potencial dos reservatórios. Entretanto, a presença de petróleo não significa, necessariamente, que a área poderá ser explorada comercialmente.
Para determinar a viabilidade do projeto, serão necessários estudos adicionais, análises laboratoriais e novas perfurações capazes de identificar a extensão dos reservatórios e a quantidade de petróleo disponível.
Novos poços devem ajudar a delimitar reservatórios
Os três poços adicionais previstos no bloco FZA-M-59 terão papel importante na avaliação da área. Os trabalhos deverão permitir uma compreensão mais precisa da distribuição do petróleo nas formações geológicas e das possibilidades de aproveitamento econômico.
O cronograma divulgado em outubro prevê a perfuração do poço Manga entre março e outubro de 2027. Em seguida, deverá ocorrer a perfuração do Morpho Extensão, com atividades previstas entre novembro de 2027 e junho de 2028. O terceiro poço, chamado Crotalus, tem previsão de perfuração entre julho de 2028 e janeiro de 2029.
O calendário poderá orientar as próximas decisões da companhia sobre a continuidade das atividades exploratórias e os investimentos necessários para avançar na região.
Margem Equatorial concentra interesse econômico e ambiental
A Margem Equatorial compreende uma extensa faixa marítima do litoral Norte e Nordeste do Brasil, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. A região inclui diferentes bacias sedimentares e passou a receber maior atenção da indústria petrolífera diante das perspectivas de novas descobertas.
Para a Petrobras, a exploração representa uma oportunidade de recompor reservas e ampliar o conhecimento sobre novas áreas produtoras. Caso os estudos confirmem a existência de volumes economicamente viáveis, a região poderá ganhar importância na estratégia energética brasileira.
Ao mesmo tempo, as atividades na Bacia da Foz do Amazonas estão inseridas em um debate ambiental sobre os riscos da exploração de petróleo em uma região de grande relevância ecológica.
A avaliação dos impactos, o cumprimento das exigências de licenciamento e a adoção de medidas de prevenção e resposta a emergências são questões centrais para a discussão sobre a expansão da atividade petrolífera na costa amazônica.
Produção comercial ainda depende de avaliações
Apesar das descobertas registradas no poço Morpho, ainda não há confirmação de que a área esteja apta à produção comercial. A Petrobras precisa concluir as análises técnicas e avaliar se o volume de petróleo identificado justifica os investimentos necessários para desenvolver o campo.
A próxima etapa de perfuração deverá fornecer informações importantes para essa decisão. Até que os resultados sejam consolidados, o projeto permanece na fase exploratória.
O avanço das atividades no Amapá poderá representar uma nova oportunidade para o setor energético brasileiro, mas seu alcance econômico dependerá dos resultados das próximas perfurações e da comprovação da viabilidade técnica, ambiental e financeira da exploração.

