Maurício Nogueira e Suzana Lobo, da Famerp e do Hospital de Base, foram reconhecidos em levantamento internacional associado à Universidade Stanford. Estudos desenvolvidos no interior paulista abordam arboviroses e infecções graves em UTIs.
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO (SP) — A produção científica desenvolvida no interior de São Paulo conquistou reconhecimento internacional. O virologista Maurício Lacerda Nogueira e a médica intensivista Suzana Margareth Ajeje Lobo, ligados à Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e ao Hospital de Base, estão entre os pesquisadores incluídos no ranking dos cientistas mais influentes do mundo, elaborado em parceria pela Universidade Stanford, dos Estados Unidos, e pela editora Elsevier.
O levantamento considera o impacto da produção acadêmica a partir de indicadores de citações científicas. Os dois pesquisadores desenvolvem trabalhos em áreas diferentes da saúde, mas com reflexos diretos no atendimento à população: o estudo de vírus transmitidos por vetores e a investigação de infecções graves em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs).
Médica pesquisa sepse e tratamentos em UTIs
Professora da Famerp e médica intensivista do Hospital de Base, Suzana Lobo teve sua produção reconhecida na área de medicina de emergência e terapia intensiva.
Suas pesquisas envolvem investigações clínicas sobre sepse, uma condição grave em que a resposta do organismo a uma infecção provoca disfunção de órgãos e pode colocar a vida do paciente em risco.
Os estudos também avaliam estratégias de suporte e condutas adotadas em UTIs, contribuindo para o aprimoramento dos protocolos de atendimento.
A médica destaca a importância de desenvolver pesquisas com pacientes da própria região. Dessa forma, o conhecimento científico pode considerar as características da população atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e auxiliar na melhoria dos cuidados oferecidos nos hospitais.
Virologista estuda dengue, zika e chikungunya
O pesquisador Maurício Nogueira, professor da Famerp e chefe do Laboratório de Pesquisas em Virologia, foi reconhecido por estudos sobre arboviroses, doenças virais transmitidas principalmente por mosquitos.
Entre os temas investigados estão a dinâmica de transmissão da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A equipe também trabalha no desenvolvimento de métodos de diagnóstico, pesquisas sobre tratamentos antivirais e testes clínicos de vacinas.
Nogueira participou da condução de etapas de estudos clínicos da vacina CoronaVac e de pesquisas relacionadas à primeira vacina de dose única contra a dengue.
A localização de São José do Rio Preto, onde algumas dessas doenças apresentam circulação recorrente, favorece a realização de pesquisas diretamente nas regiões afetadas.
O envolvimento de moradores em estudos clínicos também é apontado pelo pesquisador como parte importante dos resultados alcançados pela equipe.
Pesquisas envolvem pacientes e voluntários da região
Os trabalhos desenvolvidos pelo complexo Famerp/Funfarme mostram como a pesquisa científica realizada fora dos grandes centros metropolitanos pode contribuir para questões relevantes da saúde pública.
No caso das arboviroses, a participação de voluntários locais permitiu a realização de estudos clínicos sobre a prevenção da dengue. Uma das pesquisas conduzidas na região contou com aproximadamente 1,1 mil participantes, a maioria moradores do bairro Vila Toninho, em São José do Rio Preto.
Na área de terapia intensiva, as investigações sobre sepse e suporte clínico buscam produzir evidências que possam orientar decisões médicas e aperfeiçoar o atendimento de pacientes graves.
Como funciona o ranking de Stanford
Conhecido como World’s Top 2% Scientists, o levantamento utiliza dados bibliométricos da plataforma Scopus para avaliar o impacto da produção científica de pesquisadores de diferentes áreas.
Entre os indicadores considerados estão o número de citações recebidas pelos trabalhos, o índice H e a participação dos cientistas na autoria das publicações.
A classificação contempla diferentes áreas e subáreas do conhecimento e apresenta avaliações tanto do impacto acumulado ao longo da carreira quanto da produção científica em um período específico.
Na edição de 2026, o Brasil aparece com 1.510 pesquisadores na relação, mantendo a 24ª posição entre os países. O número representa aumento em relação aos 1.461 nomes registrados na edição anterior.
O reconhecimento de Maurício Nogueira e Suzana Lobo destaca a presença da pesquisa produzida no interior paulista em um cenário científico internacional e evidencia a contribuição de instituições regionais para o desenvolvimento de estudos voltados à saúde pública.

