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Peru na mira de Washington com porto de Chancay

O Peru entrou no centro de uma nova disputa geopolítica entre Estados Unidos e China após Washington emitir um alerta sobre o controle do porto de Chancay, uma das maiores obras de infraestrutura portuária da América do Sul.

Autoridades do governo dos Estados Unidos manifestaram preocupação com a crescente influência chinesa sobre o terminal, localizado a cerca de 80 quilômetros de Lima. A advertência foi feita depois de decisões judiciais no Peru que teriam limitado a capacidade de órgãos reguladores do país de fiscalizar as operações do porto, atualmente operado majoritariamente por empresas chinesas.

Segundo o Departamento de Estado norte-americano, há receio de que o Peru possa perder capacidade de supervisão sobre uma infraestrutura considerada estratégica. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o órgão afirmou estar “preocupado com relatos de que o Peru pode ficar impossibilitado de supervisionar Chancay”, acrescentando que investimentos estrangeiros em infraestrutura crítica podem afetar a soberania nacional.

Porto estratégico para o comércio global

O porto de Chancay é um megaprojeto financiado principalmente por capital chinês e operado pela empresa estatal de logística marítima Cosco Shipping. A infraestrutura faz parte da iniciativa global de investimentos da China conhecida como “Nova Rota da Seda” e foi projetada para funcionar como um grande hub logístico entre a América do Sul e a Ásia.

Com investimentos que podem ultrapassar US$ 3 bilhões ao longo do projeto, o terminal foi inaugurado em 2024 e tem potencial para receber alguns dos maiores navios cargueiros do mundo. A expectativa é que ele reduza significativamente o tempo de transporte marítimo entre o Pacífico sul-americano e o mercado asiático, fortalecendo o comércio regional.

Para Washington, porém, o empreendimento simboliza o avanço estratégico de Pequim no hemisfério ocidental, região historicamente considerada área de influência dos Estados Unidos.

Tensão crescente entre EUA e China

O episódio ocorre em meio a uma estratégia mais ampla do governo americano para conter a expansão econômica e política da China na América Latina. Nos últimos meses, autoridades dos EUA intensificaram pressões diplomáticas sobre países da região para reduzir projetos considerados estratégicos com o gigante asiático.

Analistas apontam que o porto peruano se tornou um dos principais símbolos dessa disputa, já que poderá transformar o país em uma porta de entrada para o comércio asiático no continente.

Enquanto os Estados Unidos alertam para riscos à soberania e ao controle de infraestrutura crítica, autoridades chinesas rejeitam as acusações e afirmam que os investimentos seguem regras locais e representam cooperação econômica vantajosa para ambos os países.

A controvérsia reforça o papel estratégico do Peru no cenário internacional e evidencia como a disputa entre as duas maiores potências do mundo começa a se refletir de forma cada vez mais direta na América Latina.

Fonte: Revista Fórum

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