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Ovinocultura e caprinocultura buscam ganhar escala no Amazonas

Criadores apostam em genética e animais adaptados às condições da região, mas custos de alimentação e necessidade de ampliar o número de produtores ainda desafiam o crescimento da atividade

A criação de ovinos e caprinos começa a conquistar mais espaço entre produtores do Amazonas, impulsionada pela busca por animais de melhor qualidade genética e pelo crescimento da procura no mercado local. Na 48ª Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro), criadores aproveitam a presença do público para apresentar diferentes raças, comercializar animais e mostrar o potencial de uma atividade que ainda busca ganhar escala no estado.

Entre os expositores está a Fazenda Amazônia Ovinos, de Manaus, que levou à feira exemplares de ovinos e caprinos de diferentes raças.

Tatiana Vivian Souza, que atua na área administrativa da propriedade, explica que, entre os ovinos apresentados, estão animais das raças Dorper e Santa Inês. Na caprinocultura, a fazenda trabalha com Anglo-Nubiana e Murciana, além de animais mestiços resultantes de cruzamentos.

“Nós trouxemos alguns exemplares, tanto ovinos quanto caprinos. Nos ovinos, trouxemos Dorper e Santa Inês e, nos caprinos, Anglo-Nubiana e Murciana”, explicou.

A presença na Expoagro também funciona como oportunidade para aproximar criadores e possíveis compradores. Além dos animais puros, a propriedade disponibiliza exemplares provenientes de cruzamentos entre raças.

Genética influencia valorização dos animais

Para Tatiana, conhecer a origem genética é um dos fatores importantes na avaliação dos animais.

A genealogia permite acompanhar informações sobre pais, avós e outras gerações e identificar a procedência do rebanho. Quanto maior a consistência dessas informações dentro de determinada linhagem, maior pode ser a valorização do animal.

“Pela árvore genealógica, você consegue saber o pai, os avós. Tudo isso influencia para o animal ficar melhor e também no valor”, explicou.

A seleção genética é uma das ferramentas utilizadas para buscar maior padronização dos rebanhos, questão que Tatiana considera um dos desafios para o desenvolvimento da atividade no Amazonas.

Mercado cresce, mas setor precisa de mais criadores

A avaliação da produtora é positiva em relação ao potencial econômico da criação de ovinos e caprinos no estado.

Segundo Tatiana, o número de pessoas interessadas na atividade vem aumentando, assim como a procura pelos animais.

“A gente só tem notícias boas, só melhora cada vez mais. Já conheço muita gente criando ovinos e caprinos no Amazonas. A qualidade está melhor e nós temos bastante demanda”, afirmou.

Apesar do cenário favorável, ela considera necessário ampliar a base produtiva.

“Precisamos ainda de mais criadores, porque precisamos padronizar os animais. Infelizmente, ainda não conseguimos padronizar muito, mas vamos conseguir”, acrescentou.

A padronização é relevante para que os criadores consigam desenvolver características mais consistentes nos rebanhos e ampliar a oferta de animais dentro dos padrões buscados pelo mercado.

Alimentação está entre os principais custos

O avanço da atividade, entretanto, esbarra nos custos envolvidos na manutenção dos animais.

Questionada sobre os principais desafios enfrentados pelos criadores, Tatiana cita três fatores diretamente ligados à rotina das propriedades.

“Alimentação, tratador e medicamento. Tem todo um custo envolvido”, afirmou.

A alimentação ganha peso especial porque a disponibilidade de área e as limitações para expansão das propriedades exigem planejamento do produtor para manter os rebanhos.

Mesmo diante das características climáticas amazônicas, Tatiana avalia que as raças trabalhadas pela propriedade conseguem apresentar boa adaptação às condições locais.

Segundo ela, parte desses animais também é criada em regiões de clima quente, característica que facilita sua adaptação ao Norte do país.

Incentivo para ampliar a produção

Para transformar o crescimento da procura em uma cadeia produtiva de maior escala, Tatiana considera necessário criar condições para que mais pequenos produtores consigam entrar na atividade.

“Precisamos de incentivo para o pequeno produtor começar, porque é um desafio. A alimentação tem custo, e precisamos de incentivo”, destacou.

O aumento do número de criadores poderia contribuir para ampliar a oferta, melhorar a padronização dos rebanhos e fortalecer o mercado de ovinos e caprinos no Amazonas.

Nesse processo, eventos como a Expoagro funcionam como ponto de encontro entre quem já investe na atividade e produtores interessados em começar. Ao colocar animais de diferentes raças em exposição e aproximar criadores e compradores, a feira também evidencia uma cadeia produtiva que ainda é pequena diante de seu potencial, mas que busca na genética, na profissionalização e na ampliação da base de produtores os caminhos para crescer no estado.

Texto: Beatriz Costa

Fotos: Josieli Nascimento

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