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Na COP30, cultura integra a Agenda de Ação climática pela primeira vez

12/11/2025 - Belém - Janja Lula da Silva, Primeira-dama do Brasil a Margareth Menezes, Ministra da Cultura do Brasil, Participam do painel "Narrativas e Contação de Histórias para Enfrentar a Crise Climática” durante a 30ª Conferência das Partes (COP30). Foto: Aline Massuca/COP30 12/11/2025 - Belém - Brazilian First Lady, Janja Lula da Silva and Brazilian Cultural Minister Margareth Menezes attend the panel “Narratives and Storytelling to Face the Climate Crisis” during the 30th Conference of the Parties (COP30). Photo by Aline Massuda/COP30

Em uma sessão com artistas e ativistas climáticos, a cultura foi destaque no debate liderado pela ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, nesta quarta-feira, 12/11. O evento chamou atenção para a capacidade de mobilização social que a cultura possui em torno da mudança do clima. “Essa é a primeira vez que a cultura integra as narrativas da Agenda de Ação como uma iniciativa importante para expandir e mobilizar. Isso é importante, pois a cultura possui poder de mobilização. Sabemos que ele é imenso”, afirmou.

A Agenda de Ação está incluída na estrutura de negociação climática da COP e mobiliza ações voluntárias da sociedade civil, empresas, investidores, cidades, estados e países para intensificar a redução das emissões, a adaptação às mudanças do clima e a transição para economias sustentáveis, conforme previsto no Acordo de Paris.

A cultura como ator político e climático também foi reforçada pela deputada e ex-ministra da Cultura da Alemanha, Claudia Roth. “A cultura não é algo de que precisamos apenas em bons momentos. Precisamos de cultura e arte porque são a voz da nossa democracia. E, diante da crise climática, a cultura deve ser um ator forte. A arte e a cultura têm o poder de mobilizar, de emocionar, de criticar”, disse

Atuação política

Como um apelo para que os governos parem de usar combustíveis fósseis,  responsáveis pelo aquecimento global, o ativista climático sul-africano, Kumi Naidoo, apresentou uma performance e se ajoelhou no local.  “Não podemos fingir que estamos vencendo, quando estamos perdendo. Quero me ajoelhar e apelar aos líderes dessas negociações: ouçam os jovens, os povos indígenas, as mulheres, as pessoas que vêm dizendo ‘parem de destruir o futuro dos nossos filhos’”, clamou.

Naidoo também lamentou que 86% da causa das mudanças do clima estejam relacionadas à dependência dos países de combustíveis fósseis. “O mundo e os nossos líderes precisam se unir e negociar um tratado vinculativo, um tratado sobre combustíveis fósseis não poluentes que impeça a expansão desses combustíveis”, disse. Ele acrescentou que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido o avanço na transição energética.

A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, comentou a relevância cultural da conferência estar ocorrendo na Amazônia, região marcada pela diversidade. “Falar de cultura e ação climática é falar sobre vida, identidade, resistência e resiliência das pessoas e das comunidades. O presidente Lula decidiu trazer a COP30 para a Amazônia para também trazer a realidade deste chão. Nesta conferência, podemos mostrar ao mundo a realidade dos povos da floresta, dos campos e a diversidade. E, com esta fortaleza cultural, podemos encontrar soluções para os dilemas globais”, relembrou a também enviada especial da COP30 para Mulheres.

Representatividade

Para o indígena yanomami e ativista climático, Davi Kopenawa, a ligação entre a terra e a natureza é essencial na cultura indígena. “Nós somos filhos da Terra, nosso pai nos criou com a terra, a floresta, a lua, as estrelas, o sol. Todos nós temos culturas diferentes, mas precisamos defender a terra, a saúde, a língua, a cultura e proteger tudo o que nos mantém vivos”, destacou.

Como coautor do livro “A Queda do Céu”  — um manifesto sobre a destruição da floresta amazônica —, Davi relembrou o trabalho do grande fotógrafo brasileiro, Sebastião Salgado, que é reconhecido internacionalmente. Sua exposição “Amazônia” retrata o cotidiano da região. Ela foi resultado de sete anos de expedições do fotógrafo para diversos lugares, entre eles, as terras Yanomami, onde vive Kopenawa.

O cineasta brasileiro Juliano Salgado participou do debate para falar sobre o trabalho do pai, Sebastião Salgado. “Suas fotos mostram como a água é coletada do mar até a Amazônia, essa formidável biodiversidade, com 32 trilhões de árvores que produzem a água que permitirá a existência de vida no Brasil. Essa floresta não é o pulmão do país, é o coração. E, quando olhamos as fotografias, percebemos que elas conectam a terra ao céu, que carrega as chuvas e a umidade. É isso que possibilita a vida”, refletiu.

A mostra de Sebastião Salgado, que faleceu aos 81 anos em maio deste ano, foi a última produzida por ele. Ela pode ser visitada no Museu das Amazônias, em Belém. O local teve investimento de R$20 milhões do governo federal para a construção e ficará como um importante espaço de cultura e ciência para os belenenses.

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