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Morre Laura Cardoso, ícone da dramaturgia brasileira, aos 98 anos

Atriz construiu mais de oito décadas de carreira e marcou a história da televisão, do teatro, do rádio e do cinema brasileiro

A atriz Laura Cardoso, considerada uma das maiores referências da dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos, em São Paulo. A morte foi anunciada pela família por meio do perfil oficial da artista nas redes sociais na madrugada desta terça-feira (18).

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, Laura morreu de causas naturais. A atriz deixa as filhas Fernanda e Fátima Cardoso, além de netos e bisneto. A despedida será realizada em cerimônia restrita.

A morte encerra uma das trajetórias mais longevas e importantes da atuação no Brasil. Ao longo de mais de oito décadas dedicadas à arte, Laura Cardoso atravessou diferentes gerações e participou diretamente da construção da história da televisão brasileira.

Do rádio aos primeiros anos da televisão

Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, em 13 de setembro de 1927, em São Paulo, Laura iniciou a carreira artística ainda adolescente, aos 15 anos, trabalhando no rádio e no teatro.

Sua estreia na televisão aconteceu em 1952, no programa Tribunal do Coração, da extinta TV Tupi. Laura integrou a primeira geração de artistas da televisão brasileira e dividiu esse período de formação do meio com nomes como Lima Duarte, Lolita Rodrigues e Vida Alves.

Nas décadas seguintes, consolidou-se como uma das atrizes mais respeitadas do país, acumulando trabalhos em diferentes emissoras e participando de dezenas de novelas, séries e outras produções.

Entre os personagens lembrados pelo público estão Isaura, de Mulheres de Areia (1993), e Guiomar, de A Viagem (1994). Laura também participou de produções como Caminho das Índias e teve seu último papel em novela em A Dona do Pedaço, exibida em 2019.

Mais de oito décadas dedicadas à arte

A trajetória de Laura Cardoso não ficou restrita à televisão. A artista também construiu uma extensa carreira no rádio, teatro e cinema, interpretando personagens de diferentes perfis e mantendo-se profissionalmente ativa por décadas.

Ao longo da carreira, recebeu importantes reconhecimentos pela contribuição à cultura brasileira, incluindo prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Grande Otelo, Shell de Teatro e a Ordem do Mérito Cultural.

Mesmo em idade avançada, Laura continuou ligada ao trabalho artístico. Em 2025, participou do lançamento do curta-metragem Dona Rosinha, no Teatro Anchieta, em São Paulo. No mesmo ano, recebeu uma estrela na calçada da fama dos Estúdios Globo e participou da tradicional mensagem de fim de ano da emissora.

Legado para a dramaturgia brasileira

Com a morte de Laura Cardoso, a cultura brasileira perde uma de suas principais representantes. Sua trajetória acompanhou praticamente toda a evolução da televisão no país, desde os primeiros anos da TV Tupi até as grandes produções contemporâneas.

A longevidade profissional, a versatilidade e a quantidade de personagens interpretados fizeram de Laura uma referência para diferentes gerações de atores.

Após a confirmação da morte, artistas começaram a prestar homenagens à atriz. Nomes como Miguel Falabella, Ary Fontoura, Fabiana Karla, Zezé Motta e Lúcia Veríssimo destacaram a importância profissional e pessoal de Laura para a dramaturgia nacional.

A atriz deixa como legado uma carreira que se confunde com a própria história da televisão brasileira e mais de oito décadas dedicadas à interpretação.

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